Ingrid Soares
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A moda agora é roubar tampa de bueiro. Em Samambaia Norte, a cada dia, ao menos um fica descoberto. Além do prejuízo, os buracos se tornam armadilhas para pedestres desavisados. Por ser feito de chumbo ou ferro fundido, o material é furtado para ser vendido como sucata em ferros velhos ou depósitos de reciclagem.
O proprietário de uma ótica na QS 406, Conjunto H, Delcio Batista Silva, 60 anos, conta que o clima no local é de insegurança. A loja foi assaltada duas vezes e, como se não bastasse, os criminosos investem em uma nova modalidade. São três bueiros em frente ao estabelecimento, sendo que um deles ainda continua aberto, coberto por uma madeira e um cone.
“Eles levam as tampas da rua toda. Isso é péssimo. Um amigo me cedeu duas tampas, mas o outro está aberto. Não achei para comprar. Teve um tempo em que eu tinha que colocar a tampa durante o dia e guardar durante a noite. Com os gastos, a solução foi soldar”, conta Delcio.
Marli da Conceição, 37 anos, é dona de um salão de beleza na mesma rua, cercado por grades. Ela conta que gastou R$ 300 com mão de obra e material para tampar os buracos.
“Levaram quatro tampas e, como são antigas e não vendem mais, tivemos que optar por uma mais fina, feita de outro material, e mandamos soldar as dobradiças. Trocamos por um item que não interessa para eles”, relata.
Segundo Marli, é comum ver adolescentes passeando pelas ruas portando armas de fogo. “Falta segurança. Além dos comércios e dos bueiros, eles furtam câmeras de segurança, lixeiras, fios de cobre e lâmpadas”, completa.
A solução encontrada pelo cabeleireiro Bartolomeu Santos, 46 anos, foi gradear tanto a loja quanto a tampa do bueiro: “A situação é antiga. Se não fizermos assim, eles levam tudo”, afirma.
Situação se repete em toda a região
Na QR 408, Conjunto 1, quatro bueiros tiveram suas tampas levadas. Um dos buracos tem cerca de dois metros. Na QN 410, a situação se repete. Os bueiros são necessários para que as redes subterrâneas de água e de esgoto possam ser vistoriadas e recebam manutenção e desobstruções regulares.
Para se proteger e proteger os outros, alguns comerciantes tomaram medidas drásticas. O dono de uma farmácia, por exemplo, decidiu parafusar as tampas.
Maria Casimira, 64 anos, saía de um salão de beleza e, ao avistar um dos buracos, ficou assustada: “É horrível e muito perigoso. Imagina à noite, quando fica mais difícil de ver o espaço sem tampa no chão?! As pessoas idosas ou mesmo crianças não veem e acabam quebrando um braço ou uma perna se não sofrerem algo pior”, reclama.
Dono de uma distribuidora de bebidas, William Amaro, 35 anos, trabalha há seis anos com grades. Para entregar a mercadoria, ele usa um dispositivo giratório acoplado à grade. À noite, ele deixa aberto apenas um pequeno espaço.
Novacap alega reparos na rede
De acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), de janeiro a julho deste ano, foram feitos 2.588 reparos na rede de drenagem pluvial no DF, incluindo substituições de grelhas de ferro fundido e colocação de tampas de concreto danificadas ou ausentes. Em Samambaia, foram 67 reparos nas bocas de lobo e em poços de visitação.
O órgão informa que foi investido, nos sete primeiros meses deste ano, R$ 1,95 milhão para a manutenção da rede. Para denunciar bocas de lobo danificadas, a população de qualquer cidade pode ligar ligar para o Disque Novacap: 3403- 2626.
Segundo o tenente-coronel Samuel Gomes, do 11º Batalhão da Polícia Militar, as rondas são feitas ininterruptamente com 15 viaturas. “Conforme algumas modalidades são pressionadas pela polícia, novas formas de crime surgem. Em reunião com a Administração de Samambaia, estamos discutindo e procurando opções para o problema pontual”, afirma.