Gabriela Coelho e Luís Augusto Gomes
redacao@jornaldebrasilia.com.br
Dois homens e uma mulher foram presos suspeitos de terem roubado um restaurante na 509 Sul na madrugada da última quinta-feira. O trio já era investigado pela polícia há três meses. Um dos suspeitos está foragido e outro ainda não foi identificado. O crime teve grande repercussão porque o restaurante recebia em seu andar de cima autoridades do governo local, integrantes da cúpula do PT e até o embaixador da Venezuela. Pouco tempo antes do assalto também passaram por lá o deputado federal Romário e o diretor de cinema Spike Lee.
No dia do roubo, A.F.S., 33 anos, A.C.J. e J.C.A. , de 28 anos, além de J.C.L., 47, que estaria foragido, teriam planejado um assalto e decidiram parar no bar. De acordo com o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Furtos de Veículos (DRFV), Eduardo Galvão, o trio era especializada em furtar veículos em várias cidades do DF.
“O J.C.L. e um morador de rua, ainda não identificado, teriam entrado no restaurante a fim de subtrair os bens das pessoas. Enquanto isso, a mulher, A.F.S., ficou no carro com o filho de 12 anos e um coleguinha dele de 14 esperando”, afirmou o delegado.
A.F.S. disse ser dona de casa e negou que tenha tido participação no crime. “O J.C.L. é meu ex-marido. Eu estava em casa e ele me ligou pedindo que fosse buscá-lo no Plano Piloto. Quando estacionei, ele veio correndo com um outro homem. Se eu soubesse que ele estava roubando, jamais traria meu filho junto”, afirmou. Segundo o delegado, logo após o roubo, A.F.S. teria pago R$ 800 a A.C.J. por uma pistola usada no roubo. “Eles afirmaram que se soubessem que o restaurante estava cheio de autoridades, jamais teriam assaltado o local”, explicou o delegado.
Comerciantes reclamam
A rapidez da polícia em encontrar os assaltantes da 509 Sul chamou a atenção de moradores de outras cidades do DF. Em algumas localidades há comerciantes que já foram vítimas de roubo mais de dez ou 20 vezes. Isso não é difícil, uma vez que nos dois primeiros meses deste ano foram registrados 1.192 roubos e furtos a comércios, contra 282, um crescimento de 322%. Os números foram revistos pela Secretaria de Segurança, que, na véspera havia informado 395 casos em janeiro e fevereiro último.
O comerciante J.A.S., 30 anos, reforça as estatísticas. A padaria dele, em Ceilândia, foi roubada nada menos que 21 vezes. “É um descaso. Tenho câmeras de segurança e até hoje os bandidos estão soltos. Agora, um bar que é frequentado por secretários de governo é assaltado uma vez e o bandidos são presos no dia seguinte”, afirmou o comerciante.
Queixas
Segundo ele, o que acontece é falta de respeito. “Já fui em todos os órgãos de segurança e não obtive retorno. Parece que não pensam no povo de verdade, aquele que trabalha”, disse. Já um comerciante do Paranoá, que preferiu não se identificar, teve o estabelecimento furtado 13 vezes. “Tem câmera e nem isso inibe a ação dos bandidos. Eles agem por volta de meio-dia e no fechamento da casa porque tem menos pessoas”, afirmou.
Segundo o delgado-adjunto da DRFV, Eduardo Galvão, o fato de ter autoridades e celebridades na 509 Sul não deixou a polícia mais eficaz. “Independentemente disso, a polícia agiu do jeito que tem de agir. Foi um roubo e a polícia trabalhou atrás dos criminosos, como se fosse um crime qualquer”, afirmou.
De acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial do Paranoá, João Gomes Pereira, toda semana, cerca de dez comerciantes são assaltados. “São 75 mil habitantes. Desses, 1, 4 mil são comerciantes da região. O policiamento é escasso”, afirmou.