Pedro Wolff
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Um professor do Ensino Fundamental de uma escola particular da Asa Sul foi preso suspeito de pedofilia, na manhã de ontem. De acordo com a polícia, V., 31 anos, teve seu sigilo de internet quebrado há 15 dias quando os pais de um garoto de 11 anos procuraram a Delegacia de Proteção a Criança e o Adolescente (DPCA) informando que ele estaria aliciando seu filho pela ferramenta de comunicação virtual MSN.
Por ter sido observado que V. realmente mantinha essa situação, foi lavrado e efetuado um pedido de prisão preventiva contra ele. O pedido foi cumprido na manhã de ontem, na residência do suspeito, em Taguatinga.
Agora a polícia investiga se há registros de imagens e material pornográfico, já que foi monitorado que durante as conversas eletrônicas havia troca de imagens de ambos pela câmera do computador. A máquina usada pelo suspeito está no Instituto de Criminalística onde será realizada uma varredura. Também será investigado se há outras vítimas fora do âmbito da internet.
Proximidade
Apesar de ser professor do Ensino Fundamental, a vítima não era um aluno de V. Eles teriam se conhecido em uma excursão à cidade turística de Pirenópolis, onde seus filhos, que também são pequenos, teriam brincado com o garoto vítima do abuso. V. e os pais do garoto chegaram a manter uma amizade depois dessa viagem.
A delegada Gláucia Ésper, titular da DPCA, diz que apesar do aliciamento não houve contatos físicos, ou encontros marcados. Mas ela diz agir de acordo com o artigo 241-D do Estatuto da Criança e o Adolescente (ECA). O artigo prevê que aliciar, assediar, instigar ou constranger por qualquer meio de comunicação, uma criança, com o fim de com ela praticar um ato libidinoso, causa punição de um a três anos de reclusão. “Apesar de casado e pai de dois filhos, V. confessou informalmente que se sentiu atraído pelo garoto”, disse a delegada.
Glaucia Ésper parabeniza os pais da vítima por terem observado as conversas que seu filho mantinha na internet. Ela explica que a internet é um terreno que os pais devem ter cuidado. O computador deve sempre ficar em um lugar comum da casa, nunca no quarto de crianças pequenas.
Atenção
Recomenda que os pais devem ter consciência do tipo de material que os filhos acessam e devem contratar técnicos para barrar conteúdos impróprios na internet. “Todos esses cuidados devem ser tomados, pois este problema é muito mais comum do que se imagina”, disse a delegada.
Por essa razão, diz a delegada, quem souber de alguma situação semelhante com qualquer criança deve fazer uma denúncia anônima pelo 197 ou na própria Delegacia de Proteção a Criança, no 3362-5942.