Robert Alves Rebelo, 24 anos, com três processos e uma condenação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, é o principal suspeito da Polícia Federal do furto de uma câmera e dois laptops na UnB TV. O rapaz de camisa e calça social que aparece em um vídeo do sistema de segurança da emissora seria o mesmo acusado de outros furtos na Câmara dos Deputados e no Ministério de Minas e Energia. As informações foram levantadas pela UnB Agência a partir de denúncia feita por um servidor da Universidade de Brasília, que reconheceu o rapaz no vídeo.
Localizada pela UnB Agência, a própria mãe do suspeito afirmou não ter dúvidas de que o garoto revelado nas imagens reproduzidas pela Portal da UnB é seu filho. “É ele”, disse. “Não tenho dúvida”. A confirmação foi dada também à Polícia Federal que, segundo a mulher, esteve em sua casa às 10h30 de segunda-feira. “Autorizei os policiais a entrarem aqui em casa. Disse que se ele estivesse eu mesma entregaria, porque quem errou tem de pagar pelo que fez”, contou à reportagem, com a voz embargada. Robert Alves Rebelo responde a três processos por furto e foi condenado em primeira instância por estelionato. Os processos estão no Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Robert Alves Rebelo já confessou ter furtado os cartões de crédito de dois servidores da Câmara dos Deputados e usado em compras no shopping Conjunto Nacional, em 2006. As imagens aparecem em mais de um vídeo do sistema de segurança da Câmara dos Deputados. Em 2008, ele foi acusado por mais três furtos ocorridos no local. Uma das vítimas da Câmara dos Deputados também reconheceu Robert Alves Rebelo como o rapaz que aparece no vídeo da UnB TV. “É ele”, garante.
CARTEIRAS – A rotina adotada por Robert na Câmara dos Deputados é a mesma revelada pelo vídeo da UnB TV. De camisa, calça jeans e com uma mochila nas costas, ele caminha tranquilamente pelos corredores da instituição, verifica portas e observa situações.
Um dos furtos, que originou processo no Tribunal de Justiça, ocorreu em março de 2007. A vítima saiu da sala onde trabalha por alguns minutos para pegar um documento no setor ao lado. Quando voltou, percebeu que alguém saia de sua sala e a bolsa estava aberta. Só teve certeza de que fora furtada ao dar falta da carteira. Uma câmera instalada na porta de entrada da sala mostrou o suspeito entrando e saindo.
Três meses depois, outra servidora foi vítima na mesma situação. Ela deixou a sala por 30 minutos e quando voltou a gaveta de sua mesa estava aberta. A carteira com R$ 830 tinha sido levada. Mais uma vez, é Robert Alves Rebelo quem aparece nas câmeras de segurança entrando e saindo da sala onde a servidora trabalhava.
Em um dos inquéritos abertos na Coordenação de Polícia Judiciária da Câmara dos Deputados, foi anexada ocorrência de outro caso que aponta Robert como suspeito. Um servidor do 4º andar do Ministério de Minas e Energia teve sua carteira furtada de dentro da gaveta de sua própria mesa. Logo em seguida, seus cartões foram utilizados em lojas de telefones celulares, perfumes e roupas. A fatura soma R$ 2,1 mil. Além dos cartões, o servidor guardava também na carteira R$ 300. “Os furtos sempre aconteciam nas situações que ele conseguia driblar a segurança da portaria para não se identificar. Fizemos um trabalho intenso de investigação para chegarmos ao nome dele e conseguir o depoimento”, conta o chefe da Coordenação de Polícia Judiciária, Antonio Carlos de Abreu.
SUMIÇO – A mãe de Robert contou à UnB Agência que não vê o filho há três anos. “Ele saiu de casa em 2005. Almoçou e saiu normalmente. Nunca mais voltou”, revela a mulher de 47 anos, desempregada e moradora de uma casa simples no Gama. Preocupada, ela chegou a registrar ocorrência de desaparecimento. “Não deu em nada. Só fui ver meu filho de novo em 2007, quando ele apareceu no enterro da minha mãe”, conta. A última aparição foi em maio deste ano, mas a mãe não estava em casa. “Era minha filha quem estava. Ele deixou R$ 200 em carne para mim”, disse.
Veja o vídeo: