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Brasília

Suspeito de atingir duas pessoas com balas de chumbinho nega crime

Arquivo Geral

06/08/2015 6h00

Tatiane Alves

Especial para o Jornal de Brasília

Duas pessoas foram atingidas por balas de chumbinho. Os tiros teriam partido do 11º andar de um prédio residencial em Ceilândia Norte. O suposto atirador é um ex-soldado da Aeronáutica, Samuel Elias de Araújo, de 19 anos. O rapaz nega as acusações e diz estar sendo injustiçado. As vítimas apresentaram queixa na 19ª Delegacia da Polícia Cívil do Distrito Federal. 

Os crimes ocorreram na última quinta-feira (30). Uma das vítimas, uma senhora de 59 anos, não quis se identificar. Ela foi atingida superficialmente nas nádegas. A outra, um garoto de 14 anos, teve perfuração na perna. Ambos foram alvejados por balas de chumbinho, que partiram de uma suposta arma de pressão.

A mulher foi atingida quando passava pela calçada do prédio residencial. Já o garoto é morador do condomínio. E segundo seu pai, na hora em que foi alvejado, ele estava no estacionamento do prédio. As radiografias do adolescente mostram que a bala ainda se encontra alojada em sua perna. Apesar da munição ter capacidade para matar, os crimes foram caracterizados como lesão corporal e o acusado pode pegar de três meses a um ano de prisão. As vítimas passam bem, mas o garoto pode apresentar problemas futuros na perna. 

O suspeito foi identificado pelo circuito de segurança do prédio. Nas imagens é possível observar o rapaz entrando no condomínio portando uma bolsa no mesmo formato da arma nas costas. Os porteiros do prédio informaram que o rapaz visto nas imagens é amigo de um morador do apartamento e que foi proibido de voltar ao local pelo síndico. Nas imagens do circuito interno do edifício também é possível ver que Samuel entra no prédio acompanhado de duas garotas, sendo uma sua namorada e a outra, uma amiga. 

Questionado sobre o vídeo, o rapaz confirma que é ele nas imagens, mas que não teria cometido o crime. O suspeito diz que foi surpreendido com suas imagens sendo apontado como criminoso e que estaria foragido. “Quando soube das acusações, me apresentei à polícia, prestei depoimento e fui liberado. Tanto estou disposto a ajudar que me apresentei espontaneamente e deixei meus contatos com a polícia. Devo ser chamado para novo depoimento”, prevê Samuel.

Arma era para prática esportiva

Segundo a 19ª Delegacia, em seu depoimento Samuel nega ser ele nas imagens. “O rapaz foi liberado porque negou as acusações e não foi pego em flagrante. Além disso, as vítimas não conseguiram ver quem realizou os disparos”. Ainda em depoimento, o suspeito disse que possui a arma há dois anos e a tem porque gosta de atirar. 

“Não é crime, mas também não são permitidas”, explica o delegado Fernando Fernandes. Apesar das munições de seis milímetros encontradas em poder do rapaz, ele diz que em sua caixa havia apenas munições de calibre 4.5 e 5.5 milímetros. “O resto que estava lá, era material de apoio”.

Na versão do rapaz ao JBr., ele conta que a arma que possui é para práticas esportivas. Garante que foi comprada em uma casa especializada de caça e pesca e que tem nota fiscal. “Sou maior de 18 anos, posso ter a arma, não é ilegal. Tenho porque gosto de atirar. Tenho o costume de  práticar em garrafas, latas e em acampamento”. 

Sobre ser visto no local, Samuel conta que um amigo viajou por dez dias e pediu para que ele tomasse conta do apartamento e de seus animais de estimação. No dia do crime, ele afirma que dormiu no prédio em companhia da sua amiga e da namorada. No dia seguinte partiram com destino a um acampamento.

Suspeito fala de ameaças nas redes sociais

“Minha imagem foi jogada ao lixo pela mídia. Agora por conta dessa acusações injustas e caluniosas, estou recendo mensagens ofensivas e ameaças no meu facebook. Uns dizem que  o que é meu estar por vir, outros falam   um tiro pode sair  de qualquer lugar. Essas acusações estão provocando consequência drásticas. Meus amigos me conhecem e sabem que não seria capaz de cometer uma atrocidade dessas”, disse o rapaz em sua defesa. 

Pena

Caso os resultados da perícia comprovem que a luneta da arma é de fogo, o suspeito poderá responder ainda pelo artigo 14 do Estatuto da Desarmamento, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição. 

De acordo com o artigo, o crime acarretaria reclusão de dois a quatro anos e multa. “Somadas as duas penas, o criminoso poderá pegar até cinco anos de cadeia”, explicou o delegado da 19ª DP, Fernando Fernandes. 

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