Ana Paula Leitão
Sujeira e descaso em um dos principais pontos turísticos da capital federal. Construída há 43 anos, a Torre de Televisão sofre com a grande quantidade de lixo espalhada pelo chão e pelos espaços verdes ao redor da tradicional feira de artesanatos que existe no local. “Aqui já deu até rato por causa dessa sujeira acumulada”, conta a artesã Solange Costa, de 48 anos, que trabalha há 27 anos no local.
Outro problema é a situação dos banheiros destinados a visitantes e feirantes da Torre de TV. O único banheiro disponível fica no subsolo da torre, em meio a paredes quebradas que deixam exposta a fiação que sustenta a estrutura. Para acessar o espaço quente e abafado, é necessário descer uma escada na base da torre. Em caso de portadores de necessidades especiais, a única solução é procurar outro lugar fora da Torre de Televisão.
Segundo Solange, os visitantes reclamam muito do lixo e da falta de estrutura. Além disso, ela conta que muitos artesãos estão desestimulados por causa da falta de organização no local. “Estamos totalmente desprezados aqui. O problema é que muitos de nós sustentamos a família com a renda que conseguimos aqui”, aponta a vendedora.
O casal Ivan e Maria Helena Ribeiro trabalha na feira há 33 anos e conta com o dinheiro das vendas na barraca para sobreviver. Para Ivan, os ambulantes são os principais responsáveis pela sujeira no local. “A gente mesmo não suja, porque é onde trabalhamos diariamente. Como eles não têm responsabilidade com a feira, fazem o que querem e acabam prejudicando a gente”.Perda da identidade
O presidente da Associação dos Artesãos, Artistas Plásticos e Manipuladores de Alimentos da Torre de Televisão (AFTTV), Nicanor de Faria, reclama da atual descaracterização da feira. “A torre foi invadida por pessoas que não são artesãs, que vendem DVDs e produtos industrializados. O problema é que acaba perdendo a tradição histórica da feirinha de oferecer apenas produtos manuais”, explica.
Artesão na Feira da Torre de TV desde 1975, o carioca conta que o local era fiscalizado pela Gerência de Fomento ao Artesanato (GFA), da Secretaria do Trabalho. “Atualmente não temos mais fiscalização aqui. Nós mandamos ofício em 2008 e no ano passado solicitando o serviço, mas nada foi feito”, garante.
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