Gabriela Bomtempo
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Com o objetivo de conscientizar os moradores da região, o Conselho Comunitário de Segurança do Sudoeste lançou, ontem, uma campanha contra a doação de esmolas e ajuda para moradores de rua e flanelinhas. Segundo o presidente do Conselho, Élber Barbosa, a esmola acaba sendo um incentivo para que essas pessoas se instalem na região. “A ajuda é um ciclo vicioso. Moradores de rua e pedintes se instalam próximo ao comércio porque sabem que vão receber mais de R$ 10 por pessoa. No fim, cada um deles acabam ganhando um salário alto de uma maneira fácil”, explica.
Além disso, a esmola, de acordo com ele, atrai a violência para a região. “As pessoas vêm como pedintes, mas são traficantes, ladrões. A esmola é só a porta de entrada e, comovidos, os moradores acabam ajudando. Só conseguiremos tirar essas pessoas de lá se deixarmos de dar a esmola”, defende Barbosa.
Moradora da região desde 1994, Dione Finco, 55 anos, conta que ajuda quando percebe que a história contada é verdadeira. “Quando vejo um idoso pedindo, uma pessoa que está passando por dificuldade, eu acabo ajudando por me sensibilizar. Sei que não é bom, mas tento fazer a minha parte ajudando quem precisa”, confessa. Para ela, a mendicância não cresceu no Sudoeste. “Sou do Nordeste. Lá as pessoas pedem de porta em porta. Aqui encontramos poucos nas ruas.”
Há, porém, quem seja contrário à ajuda. O policial Djalmyr Seixo de Brito, 44 anos, morador da cidade há 12 anos, conta por que parou de ajudar. “Sou radicalmente contra. Já faz quatro anos que não ajudo a ninguém que pede. Eu acho que quando você dá esmola, acaba alimentando uma verdadeira ‘indústria’ de pessoas que se aproveitam da sensibilização alheia e acabam ganhando verdadeiros salários de um ou de outro”, comenta.
Segundo ele, até o flanelinha – aquele guardador de carros de estacionamentos públicos é evitado. “Só peço que olhem meu carro quando realmente é uma situação de emergência. Sou radicalmente contra. Tenho certeza de que alguns pedintes não usam as roupas maltrapilhas da esmola em seu dia a dia”, ressalta.
Para o presidente do Conselho, a campanha ainda está tímida, mas a expectativa é de que ela traga bons resultados. “O conselho de segurança ainda está começando esse trabalho. Não conseguiremos coibir a prática, mas queremos conscientizar a população”, justifica.
Segundo ele, uma recente ação da polícia na região retirou 28 moradores de rua. “Aqui as pessoas ficam sensibilizadas e querem ajudar. Para mim, esmola não é só a ajuda em si, mas todo o serviço que é prestado em troca de uma moeda.”