Isa Stacciarini e Fábio Magalhães
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Em busca de independência, cada vez mais homens e mulheres optam por morar sozinhos. Uma pesquisa realizada pelo Ibope Media em nove capitais, inclusive em Brasília, revela que 15% dos domicílios são ocupados por uma única pessoa. Entre esses “solitários”, 54% são homens. Com as mais diferentes histórias, neste grupo não há apenas o perfil dos jovens que decidem sair da casa dos pais para ganhar a sonhada liberdade.
O estudo Target Group Index aponta que os fatores que contribuem para a pessoas optarem por morar sozinhas variam desde o crescimento da expectativa de vida até o aumento das separações e divórcio. Quanto mais alta a idade, maior a proporção de pessoas sozinhas entre a população. No topo deste ranking estão os adultos entre 45 e 54 anos, seguidos daqueles de 35 a 44 anos (18%), e de 25 a 34 anos (16%). O predomínio dos homens se destaca na faixa etária dos 35 aos 44 anos, com 73% do total.
Toque pessoal
Os homens são 69% das pessoas que moram sozinhas na faixa dos 25 a 34 anos. O empresário Fernando Borges, 30 anos, pertence a esse grupo. Há quase três anos, ele saiu da casa dos pais para alugar o seu próprio canto. Inicialmente, o local escolhido foi uma casa no Lago Sul, mas a experiência não foi boa.
“Chega um momento na vida do homem que ele precisa do próprio espaço, da tranquilidade de estar no que é seu e de poder dar o seu toque pessoal. Infelizmente, pelo fato de sair muito cedo e voltar muito tarde, a minha casa foi assaltada e tive um prejuízo muito grande”, recorda.
Após esta experiência, o empresário mudou-se para a Asa Sul. Ele viaja frequentemente e, às vezes, come fora de casa. Disposto a enfrentar o fogão, Borges assegura que tem o dom de cozinhar. “Viro-me muito bem e faço todas as tarefas de casa. Preparar a comida é muito tranquilo, porque tenho mão boa para isso. Lavar e passar roupas são meu ponto fraco”, revela.
O perfil de Fernando é diferente da maioria captada pela pesquisa: 40% dos homens de 18 a 44 anos consomem fast food com frequência.
Família
Pai de uma menina de oito anos, o empresário garante que morar sozinho proporcionou a oportunidade de criar um espaço para a melhor convivência com a pequena. “Era complicado ver a minha filha crescendo e não ter um espaço para ela. Morar só não é uma questão de ter independência financeira e pessoal. Tem também o lado familiar que, neste caso, sendo pai, posso estar mais próximo dela”, diz.
Embora as mulheres sejam minoria entre aqueles que moram sozinhos, elas se planejam mais. O plano de adquirir um imóvel e um carro é uma hipótese mais real nas mentes femininas em comparação às masculinas. Em geral, elas têm mais escolaridade que a média da população. E, apesar de grande parte ser separada, é alta nesse grupo a expectativa de casar logo.