Amanda Karolyne
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Ao som de vaias e protestos de mais de cerca de 400 catadores de lixo, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou o cronograma do fechamento do Lixão da Estrutural, a ser concluído em 31 de outubro. Conforme o JBr. mostrou na semana passada, a área não será completamente desativada: receberá unidade de tratamento de resíduos da construção civil.
O pronunciamento ocorreu nesta segunda-feira (02), no Salão Branco do Palácio do Buriti. Rollemberg e a presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Heliana Kátia Tavares, discursaram sobre meios de melhorar o diálogo com os catadores, que protestavam contra o fechamento do Lixão sem que o trabalho deles fosse priorizado.
Representantes dos trabalhadores destacaram que a situação dos galpões é tão alarmante quanto a vivenciada no Lixão. Segundo eles, falta maquinário, como esteiras e tratores. Líderes das cooperativas alegam que foram encontrados bichos mortos nos galpões. Eles denunciaram ainda os dois meses de atraso da compensação financeira de R$ 360.
Os catadores souberam do pronunciamento pelas redes sociais, o que, para a presidente da Cooperativa de Materiais Recicláveis da Estrutural (Coorace), Lúcia Fernandes, foi uma falta de respeito. Para ela, a bolsa de R$ 300 não é garantia para as famílias. Ela destacou que muitas mulheres morrem por catarem rejeitos sem equipamentos, aponta a falta de renda e cobra transporte para os catadores. “Mas todos os pedidos têm sido negados”, disse.
A presidente da cooperativa Ambiente, Ana Claudia Lima, por sua vez, alertou que 70% do rejeito coletado não é coleta seletiva.
O cronograma
Em meio à confusão, Rodrigo Rollemberg afirmou que foram contratadas quatro cooperativas para fazer coleta seletiva em cinco cidades do DF. E outras nove estão recebendo R$ 92 por tonelada de resíduo separado. Os galpões de triagem serão equipados para receber os catadores.
Rollemberg insistiu em estreitar o diálogo com a categoria. E afirmou que é inaceitável a capital abrigar o maior lixão da América Latina. “Vamos conversar com as lideranças para honrar o compromisso de fechar o Lixão”, comentou. O aterro existe há 60 anos e deveria ter sido fechado desde 2007, por determinação do Tribunal de Justiça, motivada pelo Ministério Público.
Destacando que o fechamento do Lixão diminuiu as mortes que acontecem ali, a presidente do SLU recebeu vaias. Segundo Heliana Kátia Tavares, o órgão comprará os equipamentos até o fim do mês.
Saiba mais
- São cinco galpões alugados, com licença ambiental e capacidade para 1.230 pessoas em dois turnos de seis horas. Três deles estão em funcionamento, sendo dois no SIA. Os outros dois devem começar a operar dentro das próximas semanas.
- Outros cinco galpões estão sendo construídos para serem entregues no próximo ano. A construção de dois já está começando. Mas, de acordo com o diretor técnico da SLU, Paulo Celso, a tendência vai ser de manter os galpões alugados.
- No DF existem 36 cooperativas, oito atuantes no Lixão.