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Brasília

Sexta-feira 13: sorte, azar ou apenas o acaso?

Arquivo Geral

13/06/2014 8h20

A oração “Não vai ter Copa” tem 13 letras. E daí? O velho Lobo, Zagallo, daria algum significado pela quantidade de caracteres. “Vão ter que me engolir”, já desafiou ele diante das câmeras de emissoras de televisão. E assim, a bravata do ex-técnico tornou sua personalidade (e, por conseguinte, sua superstição) parte do noticiário esportivo nacional.  Nas ruas do DF, as pessoas não dão tanta importância ao fato de hoje ser sexta-feira 13, mas revelam o pezinho na superstição.

“Acredito em numerologia, mas não é uma data que vai dar sorte ao Brasil, por exemplo. Gosto de canalizar apenas coisas positivas”, relata a empresária Inez Drummond. Para torcer pela Seleção, no entanto, ela não abre mão de uma coisa: o vestuário.

“Quando você casa, usa uma roupa   com significado para essa ocasião. É a mesma coisa para torcer na Copa”, diz. Sua sobrinha, Isadora Motta, bióloga de 28 anos, concorda e acredita que a positividade é feita por cada um. “A pessoa é que cria a própria sorte. Se ela acredita em algo, aquilo terá significado especial e pode atrair coisas boas”, expõe.

Para o assessor técnico em gestão pública  César Medeiros,   44 anos, o 13 tem sim significado especial. “Nasci em uma sexta-feira 13, meu número na chamada da escola era 13 e até meu número celular tem 13”, destaca. “Se tiver uma poltrona 12 e outra 13, vou escolher a última, porque acredito que me traz coisas boas”, revela.

No entanto, ele acha que isso é algo pessoal e não crê que esse tipo de superstição tenha poder. Para torcer para o Brasil e emitir vibrações positivas, no entanto, ele alega ser indispensável “estar de verde e amarelo”.

Data não incomoda outros países

Em tempo de Copa, seis seleções jogarão hoje, na famigerada sexta-feira 13. São elas: México, Camarões, Espanha, Holanda, Chile e Austrália. E o noticiário de cada país dá importância à coincidência.

O principal jornal australiano, The Australian, por exemplo, sequer cita a data, apesar de seu país colonizador, o Reino Unido, ser uma das nações que propagaram a superstição. O La Nación,  do Chile, também ignora o fato, assim como o Cameroon Tribune, de Camarões, e o El País, da Espanha.

“Acreditar ou não em superstições é algo subjetivo. Tanto isto é verdade, que para uns tudo o que se relaciona a essa crença não passa de uma grande bobagem”, explica o estudioso Bernardo Nascimento. 

Na Espanha e no Chile, se considera  muito mais significativa a terça-feira 13, e há até um ditado: “Nas terças-feiras 13, não se casa e não se entra em um barco”. A única superstição é a dos jogadores, que costumam repetir acessórios quando entram em um país.

Ponto de vista

“Determinar as origens das superstições é uma ciência inexata, no máximo. Na verdade, é trabalho de ‘achismo’”, define o cronista de foclore David Emery, em artigo ao site about.com. “Nos Estados Unidos, algumas pessoas se recusam a ir ao trabalho em sextas-feiras 13. Outras não comem em restaurantes e muitos sequer pensariam e marcar um casamento para esse dia”, escreve.

Saiba mais

A relação entre o técnico Zagallo e o número 13 é devido ao dia de Santo Antônio, geralmente comemorado em 13 de junho. 

A esposa do ex-técnico adorava o ícone religioso, o que o levou a adotar a numeração em seus uniformes de jogo e depois em outros aspectos da vida. 

Segundo Zagallo, a escolha do 13 não é motivada por superstição, mas sim por  fé.

Pessoas com medo incomum do número 13 sofrem da chamada Triscaidecafobia. 

Já o receio específico a respeito de sextas-feiras 13 pode ser chamado de parascavedecatriafobia .

 

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