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Brasília

Setembro Amarelo: a importância de pedir ajuda

A campanha de conscientização e prevenção do suicídio começa nesse mês com destaque para cuidado com a saúde mental

Vítor Ventura

01/09/2026 17h49

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cuidado com a saúde mental tem sido debatido cada vez mais ao longo dos últimos anos, e em setembro isso se intensifica com a campanha nacional do Setembro Amarelo. A ação tem o objetivo de prevenir o suicídio e colocar ainda mais no centro do debate a saúde mental. O Jornal de Brasília conversou com especialistas que destacaram a importância da campanha.

A campanha foi iniciada no Brasil em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV). O tema principal busca quebrar tabus, reduzir estigmas e incentivar a escuta ativa e o diálogo aberto sem julgamentos. O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, data que inspira o movimento durante todo o mês.

Ao JBr, a cientista e neuropsicopedagoga, Silvia Kelly Bosi, ressaltou que o Setembro Amarelo é de suma importância porque o suicídio ainda é um tema cercado por silêncio, preconceito e desinformação. “Muitas pessoas enfrentam um sofrimento intenso sem conseguir falar ou pedir ajuda. A campanha reforça que saúde mental precisa ser cuidada durante todo o ano e que o suicídio é um fenômeno complexo, que pode ser prevenido por meio da informação, do acolhimento e do acesso ao cuidado profissional”, comentou.

Com mais de dez anos de campanha no Brasil, Silvia explicou que o Setembro Amarelo ampliou o diálogo a respeito do suicídio nas famílias, escolas, empresas, serviços de saúde e meios de comunicação. “A campanha ajuda a substituir julgamentos por informação e acolhimento, mostrando que falar sobre o sofrimento com responsabilidade não incentiva o suicídio. Pelo contrário, pode fazer com que alguém se sinta compreendido e busque ajuda”.

Nesse sentido, continuou a especialista, o profissional da saúde mental também exerce um papel fundamental nessa prevenção. “O profissional oferece uma escuta qualificada, ética e sem julgamentos. Ele avalia o contexto, identifica fatores de risco e de proteção e constrói estratégias de cuidado individualizadas. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas um movimento de coragem e proteção. O acompanhamento profissional pode ajudar a pessoa a reconhecer alternativas quando o sofrimento parece não ter saída”, disse Silvia.

Prevenção no DF

A Subsecretária de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), Fernanda Falcomer, destacou que o Setembro Amarelo vem sendo há muitos anos um marco na pauta da saúde mental. “É esse mês que traz em voga esse tema. É importante para divulgar serviços, buscar as estratégias de prevenção, esclarecer sobre sofrimento psíquico, e tentar desmistificar isso. Isso está na base do que é desenvolvido no DF”, comentou. Além disso, a subsecretária também pontuou que há uma recomendação que não só em setembro, mas no ano todo esse debate esteja aceso na sociedade.

No DF, orientou Fernanda, se uma pessoa estiver com algum quadro de sofrimento emocional ela pode procurar primeiramente uma Unidade Básica de Saúde (UBS). “A gente tem psicólogos nas equipes, temos também diversos outros profissionais que fazem abordagens no campo da saúde mental para avaliar como essa pessoa está e orientar o melhor cuidado”, explicou. Para casos que vão exigir mais atenção, com grandes crises emocionais, por exemplo, o lugar indicado é o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

“No DF, a gente tem 19 unidades. Temos quatro unidades para crianças e adolescentes. A gente tem sete unidades para adultos com transtornos gerais e sete unidades que cuidam das pessoas que têm prejuízo na saúde mental em decorrência de álcool e outras drogas. Então, o CAPS é o local que a pessoa pode buscar para ter acesso a esses profissionais e ter um maior cuidado com a saúde mental”, completou.

Silvia Kelly também ressaltou que é possível ajudar pessoas que estejam com algum tipo de sofrimento emocional com a escuta acolhedora, sem minimizar ou apresentar respostas prontas. “Mudanças intensas de comportamento, isolamento, abandono de atividades, desesperança, redução do autocuidado e falas sobre morte ou sobre desaparecer são sinais que precisam ser levados a sério”. Também é possível perguntar diretamente, com cuidado, se a pessoa está pensando em tirar a própria vida.

“Se houver risco imediato, ela não deve ficar sozinha. É necessário procurar uma UPA, hospital ou pronto-socorro, acionar o SAMU pelo 192 ou buscar apoio no CVV pelo 188. Ajudar também significa mobilizar a rede de apoio e conduzir a pessoa até um atendimento especializado”, finalizou a especialista.

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