A pressão para conseguir boas notas ou aquela tão esperada aprovação no vestibular ou no concurso público se mostrou um grande desafio para a saúde mental dos estudantes. E com esse cenário em vista, o SESC DF lançou o projeto “Estudamente”, a junção das palavras estudante e mente, com foco no cuidado da saúde emocional diante das exigências e pressões de preparação para provas.
O grupo terapêutico, criado pelas psicólogas Raianny Albuquerque e Lilian Moreira, tem como objetivo atender estudantes, concurseiros e vestibulandos de 17 a 45 anos. A proposta será conduzida pelas psicólogas e contará com oito encontros. As reuniões foram planejadas com foco no manejo da ansiedade, o fortalecimento emocional e o desenvolvimento de estratégias psicológicas que favorecem o desempenho e o bem-estar dos participantes.

Os encontros acontecerão quinzenalmente, a partir das 14h, na unidade do SESC na 504 da Asa Sul. As inscrições iniciaram no dia 12 de janeiro e vão até o dia 20 de fevereiro. O projeto conta com 50 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo formulário no site. Os valores variam de acordo com a credencial do SESC. Os preços podem ser consultados na tabela oficial no site, https://www.sescdf.com.br/.
Os impactos da pressão
A psicóloga Lilian Moreira, uma das idealizadoras do projeto, afirma que um dos principais desafios será ajudar os estudantes a romper com a ideia de que precisam estudar até a exaustão, além de aprender a lidar com a ansiedade, a culpa ao descansar, as frustrações e as comparações.

“A preparação para grandes provas gera ansiedade, autocobrança excessiva, medo de fracassar e exaustão emocional. Muitos estudantes apresentam dificuldades de concentração, alterações no sono e sintomas físicos, resultado da pressão constante por aprovação”, explica ela.
Segundo Lilian, é importante se atentar às diferenças entre cansaço e ansiedade. No primeiro caso, a melhora é notada após o descanso. Já a ansiedade persiste mesmo depois das pausas, além de ser acompanhada de preocupação excessiva, pensamentos acelerados, tensão corporal e dificuldades para relaxar. A especialista alerta ainda que é importante buscar ajuda profissional quando o sofrimento emocional começa a interferir no rendimento, no sono, na alimentação ou na vida pessoal. “Buscar ajuda é um ato de cuidado e prevenção”, adverte ela.
Para os estudantes que querem manter um bom desempenho, mas sem prejudicar a saúde mental, a psicóloga aconselha: “O segredo é manter uma rotina equilibrada, respeitar pausas, cuidar do sono e aprender recursos de manejo da ansiedade. O desempenho está ligado à qualidade emocional do estudo, não apenas ao tempo dedicado”.
A pressão que adoece
Áquila Rodrigues, atualmente servidora pública no Distrito Federal, relatou ao Jornal de Brasília a árdua jornada que enfrentou até ser nomeada em 2024. Ela contou que estudou ininterruptamente por três longos anos antes de alcançar a tão sonhada aprovação. Áquila dividia o tempo entre o trabalho temporário, um casamento conturbado, a rotina de dona de casa e os estudos.
“Pensei em desistir em vários momentos, mas encontrei forças no apoio da minha família, mesmo fragilizada diante de uma demanda tão grande. A rotina corrida pesava muito na minha saúde mental. Durante o processo, tive muitas crises de ansiedade e, na véspera da prova, cheguei a ter uma crise de pânico. Mas, no fim, todo o esforço valeu a pena”, desabafa a servidora.
Segundo ela, a motivação para se manter firme nos estudos se concentrava na estabilidade que um cargo público proporciona e também no prestígio de ser uma funcionária do Governo. A respeito da saúde mental, ela comenta ainda que não teve acompanhamento psicológico na época, mas que se arrepende por não ter investido nisso. Até os dias de hoje, Aquila carrega o peso da pressão que colocou em si mesma enquanto estudava.
“Sempre me cobrei muito e, se eu pudesse dar um conselho para quem está tentando, diria para buscar conforto e momentos de descanso nas mínimas coisas, seja um café com um amigo ou um almoço com a família. Cuidem da saúde mental e dos relacionamentos. Dediquem-se, mas estabeleçam limites saudáveis. Não se esqueçam da alimentação, do sono, da hidratação e da prática de exercícios físicos”, aconselha ela.