A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) promoveu, na quinta-feira (28), uma capacitação voltada a profissionais de saúde, gestores e estudantes sobre o cuidado integral às mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. Durante o encontro, também foi lançado oficialmente o documento Linha de Cuidado da SES-DF para pessoas em situação de violência, que estabelece diretrizes e fluxos de assistência nos serviços públicos de saúde.
Realizado em alusão ao Agosto Lilás — mês de conscientização sobre a violência contra a mulher —, o evento buscou sensibilizar os profissionais para identificar casos de violência entre pacientes e garantir os encaminhamentos adequados. “Todos os profissionais de todos os níveis de atenção precisam estar preparados para acolher as pessoas em situação de violência”, afirmou Elisabeth Maulaz, coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas em Situação de Vítimas de Violência.
Segundo a coordenadora, a saúde é uma das principais portas de entrada para o atendimento às vítimas, especialmente em casos de violência física e sexual. Esses serviços são oferecidos nas unidades de pronto atendimento (UPAs), emergências hospitalares e em algumas unidades básicas habilitadas.
A subsecretária de Saúde Mental da SES-DF, Fernanda Falcomer, destacou que os serviços de saúde assumem responsabilidade ainda maior diante da procura significativa por parte das vítimas. “Pesquisas mostram o quanto as vítimas procuram os serviços de saúde mais que os órgãos de justiça ou delegacias, trazendo mais responsabilidade para a área da saúde”, ressaltou.
A diretora da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (Diam) da Polícia Civil do DF, Karen Langkammer, alertou para a subnotificação dos casos de violência contra mulheres, inclusive dentro do sistema de saúde. “Precisamos saber como acolher essas mulheres, como identificar essa situação e o que fazer”, afirmou.
O novo documento da SES-DF orienta os profissionais de saúde para garantir acolhimento humanizado e articulação com a rede de proteção e defesa de direitos. Para a promotora de Justiça do MPDFT Laiana Vasconcelos, a iniciativa representa um avanço, mas exige constante aprimoramento: “Precisamos que todos os trabalhadores, mesmo conhecendo essa linha de cuidado, continuem se aprimorando para entregar o melhor possível à vítima”.
A Linha de Cuidado já está disponível no site da SES-DF.
Com informações da Secretaria de Saúde