Francisco Dutra
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Carla Cristina da Silva, 36 anos, nunca teve dúvidas. Por vocação, sempre teve certeza da profissão. Aos 9 anos de idade, mudou-se do Rio de Janeiro para o Distrito Federal e desde então buscou o sonho de ser professora. Trabalhando há 7 anos na rede pública, hoje ela uma das responsáveis pela alfabetização de crianças na Escola Classe 59 de Ceilândia. Mesmo com a precariedade do ensino público neste Dia do Professor, Carla segue em frente na alfabetização, por missão e paixão.
“Ser professora é lutar diariamente, pelo o que amamos e acreditamos. E eu acredito que tudo começa com educação de qualidade”, crava a educadora. Do ponto de vista da docente, o ensino público no DF só segue em frente justamente pela dedicação e o esforço extra dos servidores públicos. A própria Carla se desdobra para garantir educação de qualidade para os alunos, comprando materiais didáticos com o próprio salário.
“Falta de tudo nas escolas, cartolina, cola, lápis, livros e jogos pedagógicos. Quem trabalha com alfabetização tira do próprio bolso dinheiro para comprar jogos e calendários pedagógicos. Em mesma já comprei jogo de R$ 200 e muitos outros itens. Gastei uma fortuna. É claro que é um recurso que faz falta para outras coisas pessoais. Mas considero um investimento na formação dos alunos e no meu trabalho”, contou.
A sala de aula superlotada também é um desafio. Hoje Carla educa 27 alunos, quando o número adequado seria de 15 pequenos estudantes. Tendo 450 mil crianças e adolescentes matriculados e 28 mil professores, a rede pública opera cronicamente com salas de aula abarrotadas. Como se não bastassem as carências de pessoal e materiais, Carla e os colegas professores também enfrentam a ameaça de trabalhar em um escola condenada pela Justiça para demolição e reconstrução. Mesmo diante da decisão, o governo vem protelando o cumprimento da sentença.
Em relação ao currículo escolar, a professora observa uma desconexão entre o prometido e a realidade. “O currículo é bom. Mas para aulas de música e educação física você precisa de professores de música e educação física. Mas faltam professores dessas disciplinas. Para garantir o direito da aprendizagem aos alunos não basta ter o documento escrito. É preciso ter profissionais e recursos para atender os objetivos”, ponderou.
Neste clima de pressão por todos os lados, Carla testemunhou diversos colegas sucumbindo ao estresse e outras doenças. Muitos também castigados por famílias desestruturadas que transferem suas obrigações para criação dos filhos e filhas para as escolas.
E diante de tantos problemas porque a professora segue em frente? “O mais legal é o reconhecimento por parte das famílias. Nesses dias, recebi uma mensagem da mãe de um ex-aluno me agradecendo. Isso é o mais legal. Quando a gente reencontra com ex-alunos eles também agradecem a dedicação”, sorriu a educadora.
O que diz o governo?
Por nota, a Secretaria de Educação garantiu que a Escola Classe 59 de Ceilândia está no plano de obras emergenciais e o processo de licitação para a reconstrução será lançado em 2018. A pasta reforçou que está aumentando os investimentos na rede, especialmente pelo, o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF). Segundo o governo, a valorização dos professores é constante.
Ser professora é lutar diariamente, afirma educadora da rede pública do DF
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