Quem mora ou trabalha em Águas Claras tem se sentido bastante inseguro em relação aos assaltos a pedestres que aumentaram 49% de 2023 para 2024. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), foram registradas 106 ocorrências entre janeiro e julho deste ano, contra 71 registros durante o mesmo intervalo do ano passado.
Segundo a SSP/DF, os dados também incluem a Área de Desenvolvimento Econômico (ADE) e o Areal. A autarquia ressaltou que o crime de roubo está tipificado no Código Penal, como a conduta de “subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência à pessoa, ou após havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”. A pena para esse tipo de infração penal é de quatro a dez anos, além de multa.
A estudante Isabela Cristina Souza, 17, mora em Arniqueira e estuda em Águas Claras. Para chegar até a escola, a aluna vai e volta de Metrô. Ela percebe que já foi mais seguro andar por Águas Claras e pegar transporte público “Porque eu morava aqui em Águas Claras por 12 anos, tanto que eu andava sozinha com as minhas amigas diariamente. Mas hoje em dia acho que piorou um pouco”.
Como Isabela vai e volta de metrô para casa todos os dias, às vezes em horários um pouco mais perigosos, ela tenta se prevenir. “O que posso fazer é guardar meu celular bem guardadinho e andar com o máximo de alerta possível. Mas é aquele negócio, não tem como me blindar de nada”. Principalmente por ser mulher e adolescente, Isabela acredita ser mais suscetível e vulnerável a esse tipo de coisa. Isabela já foi perseguida por um morador de rua e isso a deixou um pouco receosa de andar pela cidade.
Ela conhece muitas pessoas e casos da escola mesmo de que foram assaltados, inclusive dentro do colégio em que estuda. “Eu já fui roubada dentro da minha própria escola por um aluno. Meu celular estava no bolso, ele pegou meu celular e passou correndo”.
Amiga de Isabela, a estudante Mariana De Mendonça, 18 anos, só não se sente tão insegura andando pela região, porque se mudou para Águas Claras desde 2017, quando antes disso, ela morava em uma área mais violenta. “Mas eu tomo cuidados básicos, não fico com o celular à mostra”. Para ela, a parte mais perigosa da região está no metrô, onde ela passa para ir e voltar da escola com a amiga. “Tem muito morador de rua aqui”.

A advogada Caroline Carlloni, 28 anos, costuma usar regularmente o metrô em Águas Claras e não sente muita segurança enquanto está nos vagões. “Eu sou mãe, tenho dois filhos e aí eu fico toda hora atenta”. Para ela, uma questão que também pesa é do assédio, porque Caroline já passou por uma situação assim. “Uma das coisas que me ajudaram muito, foi o carro próprio para a mulher no metrô, que é o último vagão”.

Quanto aos assaltos, ela notou que aumentou muito a quantidade de pessoas em situação de vulnerabilidade na rua perto do Metrô de Águas Claras. “Acontece de sair da estação e já ter alguém pedindo dinheiro, e aí quando você não dá, a pessoa te segue com um cara feia”. Caroline considera estar precária a questão da segurança na região. “Aumentou muito a insegurança depois da pandemia especialmente. Por isso evito até sair com o celular, hoje estou com o fone e tudo porque eu saí mais cedo, mas evito”. Para ela, costumava ter mais policiamento antigamente.
O estudante universitário Lucas Baliza Barreto, 22 anos, é grato por nunca ter passado por um assalto ao ir e vir de metrô para Águas Claras. “Mas escutando de outras pessoas, eu acredito que vem aumentando bastante a violência, insegurança e o tráfico”. Como ele anda com equipamentos caros, inclusive um patinete elétrico, ele costuma se manter bem atento. “Sempre olho para um lado e para o outro, vejo se está tranquilo. Qualquer lugar que eu for, estou sempre em estado de alerta”.

Reduzindo a criminalidade e aumentando a segurança
A pasta de segurança também informou que foi instituído o programa “DF Mais Seguro – Segurança Integral”, com a participação da sociedade civil e de diversos órgãos. A ação tem o objetivo de reduzir a criminalidade e a violência, além de visar o aumento da sensação de segurança da população. Através do eixo “Cidadão Mais Seguro”, o programa envolve setores da sociedade civil, permitindo o atendimento das demandas da população de forma regionalizada.
O registro de ocorrência
Conforme a pasta de segurança, é essencial ser feito o registro de ocorrências pela população, quando tiver passado por uma situação de assalto, para serem elaborados estudos e manchas criminais que indicam dias, horários e locais de maior incidência de cada crime, entre outras informações relevantes para o processo de investigação.
Esses levantamentos são utilizados na elaboração de estratégias para o policiamento ostensivo da Polícia Militar (PMDF), e para ser feita a identificação e desarticulação de possíveis grupos especializados por parte da Polícia Civil (PCDF).
O registro de ocorrência pode ser feito nas delegacias de todas as regiões administrativas, ou também por meio da Delegacia Eletrônica, disponível no site da PCDF. Caso a população queira fazer denúncias em situações de emergência, a PMDF pode ser acionada através do número 190.
Canais de registro de ocorrência e denúncia:
– Delegacia Eletronica https://www.pcdf.df.gov.br/servicos/delegacia-eletronica.
– Denúncia on-line: (https://is.gd/obhveF);
– E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br- Telefone: 197, opção 0 (zero); e
– WhatsApp: (61) 98626-1197.