Dois crimes violentos mexeram com a rotina dos moradores e comerciantes do Lago Sul. O último ocorreu na noite de quarta-feira, na QI 9, como mostrou o JBr. ontem: um idoso foi executado após reagir a um assalto dentro de casa, o que caracterizou latrocínio – roubo seguido de morte. Algumas quadras à frente, na QI 15, um homem praticou um arrastão acompanhado de dois menores, e foi preso nesta semana.
O bancário aposentado Nylton Jorge Isaac, de 77 anos, foi atingido pelo disparo de um revólver calibre 38 após a invasão de sua residência. Ele teria sido baleado no momento em que defendia um adolescente de 15 anos, filho da empregada da casa.
Por volta das 21h, o ladrão teria entrado na casa pela área verde dos fundos, com o rosto coberto por uma camisa. Ele teria rendido o jovem e perguntado sobre a chave da casa. O aposentado escutou o barulho e foi verificar o que estava acontecendo. Quando viu o garoto ser ameaçado, entrou na frente dele, tentado protegê-lo do criminoso. “Se tiver que atirar, atira em mim”, disse.
Após alguns momentos de tensão, o ladrão disparou duas vezes: um tiro acertou a porta e o outro o rosto da vítima. O ladrão fugiu em seguida.
A família está transtornada com o crime. No momento da invasão, além de Nylton e do adolescente, a mulher da vítima estava em casa. Um familiar, que preferiu não se identificar, resumiu a situação em uma palavra: “traumatizante”. Cansados e muito abalados, os parentes preferiram não conversar com a imprensa. Todos passaram a noite acordados acompanhando o trabalho da perícia, que só chegou quatro horas depois do crime.
Latrocínio
A polícia acredita que a motivação do delito era o roubo à casa. O delegado- chefe da 10ª DP (Lago Sul), Miguel Lucena, investiga o caso e acompanha as buscas pelo criminoso, que até o fechamento desta edição não havia sido encontrado. Para Lucena, a casa era visivelmente “vulnerável” à ação de bandidos, por conta da área verde dos fundos.
“Estamos verificando os sistemas de segurança da região. Mas a parte mais importante é a perícia policial. Os vestígios do crime estão sendo analisados e esperamos descobrir as impressões digitais para identificar o autor”, destaca.
Situação atípica na área
Em 20 anos de serviço, o vigilante autônomo José Ribeiro, 64 anos, afirma que nunca tinha ocorrido um crime bárbaro na QI 9 do Lago Sul. Ele conta ter escutado dois tiros, mas não desconfiou que fosse em sua área. “E logo com ele, que era um patrão excelente”, afirmou, referindo-se a Nylton. O vigilante recebe R$ 70 de cada morador para patrulhar as ruas.
Com uma bicicleta modelo barra forte e chapéu tipo quepe (usado por militares das Forças Armadas), ele percorre os conjuntos à noite e durante a madrugada. Na noite do crime, afirmou ter expulsado um morador de rua visivelmente alcoolizado. “Ele vestia calça jeans e camisa xadrez. Não sei se estava envolvido com o crime”, disse.
Polícia
A Secretaria de Segurança Pública diz que este é o primeiro latrocínio registrado no Lago Sul desde o ano passado. Em 2014, até o momento, foram 42 furtos de veículos, dez furtos a transeuntes, três roubos em comércio, 12 roubos em residência e 22 roubos de veículos.
A respeito do patrulhamento da área, a Polícia Militar informou que o batalhão da região “tem uma das maiores produtividades da PMDF e recebeu recentemente o reforço no efetivo com a formação da nova turma de soldados. A patrulha é feita com viaturas, motos, policiais a pé nos comércios e reforçado com o policiamento especializado”.