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Brasília

Senhor reage a assalto para defender jovem

Arquivo Geral

17/10/2014 7h00

Dois crimes violentos mexeram com a rotina dos moradores e comerciantes do Lago Sul. O último   ocorreu na noite de quarta-feira, na QI 9, como mostrou o JBr. ontem: um idoso foi executado após reagir a um assalto dentro de casa, o que caracterizou latrocínio – roubo seguido de morte.   Algumas quadras à frente, na QI 15, um homem praticou um arrastão acompanhado  de dois menores, e foi preso nesta semana.

O bancário aposentado  Nylton Jorge Isaac, de 77 anos,   foi atingido pelo disparo de um revólver calibre 38 após a invasão de sua residência. Ele teria sido baleado no momento em que defendia um adolescente de 15 anos, filho da empregada da casa.

 Por volta das 21h, o ladrão teria entrado na casa pela área verde dos fundos,   com o rosto coberto  por uma camisa. Ele teria rendido o jovem e   perguntado sobre a chave da casa.  O aposentado escutou o barulho e foi verificar o que estava acontecendo. Quando viu o garoto ser ameaçado, entrou na frente dele, tentado protegê-lo do criminoso. “Se tiver que atirar, atira em mim”, disse. 

Após alguns momentos de tensão, o ladrão disparou duas vezes: um tiro acertou a porta e o outro  o rosto da vítima.  O ladrão fugiu em seguida.

A família está   transtornada com o crime. No momento da invasão, além de Nylton e do adolescente, a mulher da vítima estava em casa. Um familiar, que preferiu não se identificar, resumiu a situação em uma palavra: “traumatizante”. Cansados e muito abalados, os parentes preferiram não conversar com a imprensa. Todos passaram a noite acordados acompanhando o trabalho da perícia, que só chegou quatro horas depois do crime. 

Latrocínio

A polícia acredita que a motivação do delito era o roubo à casa. O delegado- chefe da 10ª DP (Lago Sul), Miguel Lucena, investiga o caso e acompanha as buscas pelo criminoso, que até o fechamento desta edição não havia sido encontrado. Para Lucena, a casa era visivelmente “vulnerável” à ação de bandidos, por conta da área verde dos fundos. 

“Estamos verificando os sistemas de segurança  da região. Mas a parte mais importante é a perícia policial. Os vestígios do crime estão sendo analisados e esperamos descobrir as impressões digitais para identificar o autor”, destaca.

Situação atípica na área

Em 20 anos de serviço, o vigilante autônomo José Ribeiro, 64 anos, afirma que nunca tinha ocorrido um crime bárbaro na QI 9 do Lago Sul. Ele conta ter escutado dois tiros, mas não desconfiou que fosse em sua área. “E logo com ele, que era um patrão excelente”, afirmou, referindo-se a Nylton. O vigilante recebe R$ 70   de cada morador para   patrulhar as ruas.  

Com uma bicicleta modelo barra forte e chapéu tipo quepe (usado por militares das Forças Armadas), ele percorre os conjuntos à noite e durante a madrugada. Na noite do crime, afirmou ter expulsado um morador de rua visivelmente alcoolizado. “Ele vestia calça jeans e camisa xadrez. Não sei se estava envolvido com o crime”, disse. 

Polícia

A Secretaria de Segurança Pública  diz que este é o primeiro latrocínio registrado no Lago Sul desde o ano passado. Em 2014, até o momento, foram 42 furtos de veículos, dez  furtos a transeuntes, três roubos em comércio, 12  roubos  em residência  e 22  roubos de veículos.

A respeito do patrulhamento da área, a Polícia Militar  informou que o batalhão da região  “tem uma das maiores produtividades da PMDF e recebeu recentemente o reforço no efetivo com a formação da nova turma de soldados. A patrulha é feita com viaturas, motos, policiais a pé nos comércios e reforçado com o policiamento especializado”.

Assaltante rastreado
 
Horas antes do crime que levou à morte do idoso, um homem suspeito de praticar  um arrastão na QI 15 do Lago Sul foi preso. Ele foi encontrado  no Riacho Fundo, após o rastreador de um dos  celulares roubados apontar a sua localização. O aparelho  teria sido apreendido na casa do rapaz junto a algumas porções de maconha. Na última terça- feira, dois casos de assalto foram registrados na delegacia, mas a polícia acredita que o suspeito pode ter feito mais vítimas.
 
Rafael Santos Montenegro, 24 anos,   foi preso em flagrante na tarde de  quarta-feira. Segundo o delegado-chefe da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), Miguel Lucena, o jovem, acompanhado de dois menores, utilizou uma arma de fogo para abordar transeuntes e roubar   celulares.    Mas eles não se deram conta de que poderiam ser localizados por meio do GPS.
 
Menores
 
A 10ª DP segue investigando o caso, e até o fechamento desta edição os supostos comparsas não haviam sido identificados. Por ser tratar de menores envolvidos no crime, a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) participará da apuração do caso.
 
Rafael Santos Montenegro foi autuado em flagrante pelo crime de roubo qualificado e porte de entorpecentes, podendo pegar até dez anos de prisão. Se for comprovada também a corrupção de menores, a pena pode aumentar para até 14 anos.
 
População relata  diversos casos de roubos
 
Os comerciantes do Lago Sul temem a violência. Um deles, que não quis se identificar, conta que sempre há furtos e roubos na região. Por causa do medo, ele teve que contratar seguranças. “Naquele estacionamento ali, na comercial da QI 9, sempre tem furto de veículo. No ano passado, um funcionário da loja ao lado foi morto quando levava dinheiro ao banco”, relata.
 
A dona de uma banca de jornais Aloíde Coelho, 52 anos, também fica preocupada. “Tenho medo da criminalidade. Uma vez, dois homens entraram e roubaram meu dinheiro. Não satisfeitos, um me prendeu no canto da loja”, relembra.
 
A secretária Luciana Rodrigues, 30 anos, enfatiza que não há segurança alguma na região. “Sempre falam de assaltos aqui no comércio”, completa. A vendedora Elieni Rodrigues,   64 anos, confirma: “Já vi vários assaltos aqui na frente da loja. Por causa do medo, todos    saem 20 minutos mais cedo. O Lago Sul está precisando de mais segurança e de mais policiais”, diz.

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