Em meio à inquietude causada pela chegada da Copa do Mundo, a importância da consciência ambiental rouba a cena. Na Semana do Meio Ambiente, cujo Dia Internacional é comemorado hoje, o JBr. encontrou um bom exemplo de prática sustentável, bem próximo ao centro do poder. Trata-se do Viveiro do Senado.
Com somente dois anos de existência, a iniciativa já conta com conquistas de gente grande. No mês passado, fez sua primeira contribuição para a cidade com a doação de 800 mudas de árvores ao Jardim Botânico.
O objetivo do projeto é que essas ações minimizem os impactos da emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera.
Contribuição social
O coordenador do Viveiro, Érico Zorba, se diz contente com os resultados. “As árvores ‘sequestram’ o carbono da atmosfera e convertem em madeira”, explica.
“Não usamos ar-condicionado, pois fizemos tudo em arquitetura bio-climática, em que plantas são usadas para manter a temperatura”, relata o coordenador.
Ele cita também o uso de espécies vegetais para filtrar esgoto, cultivo de minhocas para produzir húmus e captação de energia por meio de painéis solares como conquistas importantes do local. “Se produzíssemos alimento, fecharíamos o ciclo. Aqui não há gasto com insumo, pois produzimos nosso próprio adubo”, exalta.
Segundo Érico, a criação de minhocas faz com que o esterco e outros resíduos sejam convertidos em húmus, que, misturados ao material orgânico armazenado em células de compostagem, criam o adubo utilizado nos jardins do próprio Viveiro. “Reprocessamos todo o lixo que, antes, era enviado ao aterro a céu aberto da Estrutural”, garante.
O nascimento
A iniciativa foi idealizada em 2007, quando o projeto Senado Verde foi criado. De acordo com a página do programa, ele “tem como principal objetivo introduzir a gestão ambiental nas rotinas administrativas”. Daí surgiu a ideia de criar o Viveiro.
Ideia nasceu tímida, mas ganhou força
Um dos integrantes do Senado Verde e criadores do projeto, Mário Viggiano, explica que era preciso aproveitar os mais de 130 mil m² de jardins do Congresso, palácios e anexos da Esplanada. “Cuidar dessa área demanda grande logística e dinheiro, então precisávamos trabalhar com o que já tínhamos”, afirma.
Segundo Mário, o próximo passo é computar a emissão de gás carbônico do Senado. “Dessa forma, vamos saber quantas mudas teremos de plantar para compensar ou minimizar esse impacto. A partir daí, poderemos traçar metas anuais”, garante.
Ele elogia ainda as 14 toneladas de adubo em compostagem atualmente armazenadas no Viveiro e prontos para serem aplicados nos jardins públicos.
Redução de custos
Outro grande benefício oriundo do Viveiro é o fornecimento de eletricidade ao prédio da Coordenadoria de Transportes do Senado. Segundo Mário, toda a energia provém dos captores solares. “O que não é aproveitado no Viveiro é direcionado ao anexo. Obviamente, a conta de luz sofre redução”, conclui o funcionário.
Saiba mais
A água utilizada no Viveiro é toda captada das chuvas do DF. Calhas no prédio encaminham a água aos reservatórios enterrados e ela pode ser aproveitada para irrigar as plantas ou mesmo para consumo. O filtro é de barro.
O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado desde 1972 e refere-se à data de início da primeira conferência das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto. Esse ano o tema é Aumente sua voz, não o nível do mar.