Com o fim da greve dos professores, os alunos retornam à universidade sem uma série de serviços básicos. O Restaurante Universitário (RU) e a Biblioteca Central (BCE) estão fechados. Em alguns cursos, as secretarias funcionam, mas em outros, alunos ficam sem documentos como a declaração que permite tirar o Passe Livre, um direito dos estudantes de não pagarem passagens de ônibus. Nos cursos em que há laboratórios, funcionam apenas os que contam com técnicos que não aderiram à greve.
Robert Rossi, aluno de Engenharia Florestal, trouxe sanduíches de casa. “Quando eu fiquei sabendo que o RU estava fechado, preparei um lanche para trazer na mochila”, diz. Segundo o cálculo de Robert e seus colegas de curso, não dá para almoçar na UnB por menos de R$ 5. No RU eles pagariam R$ 2,50, com o suco incluso.
Ana Cláudia Oliveira e Dalila Lisboa, alunas do Serviço Social e bolsistas do Programa de Assistência Estudantil, pagam R$ 0,50 pelo almoço no Restaurante Universitário, num total de R$ 10 por mês. “A gente passa o dia inteiro na universidade. Como ficaremos sem o RU? Vamos ter que comer besteiras, porque almoçar vai ficar muito caro”, reclama Ana Cláudia. Com as portas do bandejão fechadas, elas gastarão nas lanchonetes da universidade, em dois dias, o que gastariam ao longo do mês almoçando no restaurante.
A aluna de Pedagogia Luciana Oliveira reclama de não poder usar o Passe Livre, uma vez que a secretaria de seu curso está fechada. Ela gasta R$ 7 no trajeto de ida e volta para casa na Vila Planalto. “Além disso, não pude pegar meu comprovante de matrícula, para validar a carteirinha de estudante”.
A biblioteca fechada também é motivo de reclamações por parte dos alunos. “Eu frequento a biblioteca quase todos os dias para estudar, fazer trabalhos, reuniões de estudo, usar a internet e, é claro, pegar livros emprestados”, enumera a estudante de Biologia Thaísa Carvalho. Ela argumenta ainda que os efeitos da biblioteca fechada não serão sentidos agora no começo do semestre, mas quando chegar o período de provas e as possibilidades de estudo dos alunos ficarem comprometidas.
“A minha sorte é que boa parte dos materiais que eu preciso estão disponíveis na xerox. Mas muitos colegas dependem da BCE”, comenta o aluno de Comunicação Social Luiz Felipe Alves. “A UnB sem servidores é pior do que a UnB totalmente parada”, emenda.