Encerrado o segundo ciclo olímpico da Era Bernardinho, o treinador colocou, ainda na China, a sua permanência frente à seleção masculina de vôlei em xeque. De acordo com o técnico, já não era mais possível continuar na intensa maratona dos últimos anos, onde ele comandou a equipe feminina de Rexona/Ades, a seleção verde-amarela, além de dar palestras empresariais.
Porém, de volta ao Brasil após a conquista da medalha de prata em Pequim-2008, Bernardinho não escondeu a vontade de continuar até Londres-2012. “O que mais me motiva é continuar com o grupo, além de ser um desafio continuar por mais um ciclo e chegar bem no final dele. Espero que eu encontre esses jogadores com muita vontade”, declarou Bernardinho.
A tendência do treinador em ficar ficou ainda mais evidente quando o assunto renovação da equipe entrou em pauta. Independente de quem seja o próximo técnico do time masculino de vôlei do Brasil, ele não poderá mais contar com peças importantes, caso do central Gustavo e do oposto Anderson, que já confirmaram a sua ausência – outros nomes, como Marcelinho, André Heller e Sergio Escadinha ainda não sabem dizer sobre o que farão no futuro.
“Quem tiver condições de continuar, vai continuar e (na hora da convocação) eu não vou olhar carteira de indentidade, mas sim o rendimento de cada jogador e a vontade dele em defender a seleção”, afirmou Bernardinho. “A seleção de novos também tem muitos jogadores bons, vamos olhar a Superliga, os campeonatos internacionais… todos serão observados e vamos selecionando”, destacou.
Como o calendário da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) prevê apenas mais uma competição da seleção masculina para este ano (Copa América), Bernardinho ainda tem bastante tempo para pensar. Para a temporada 2008/2009, por exemplo é certo que ele continue como técnico da equipe feminina do Rexona/Ades, campeã das três últimas edições da Superliga.
“Ele chegou hoje e ainda vamos conversar para que ele defina quantos dias de folga terá antes do início de nossos compromissos, a Copa Brasil de Vôlei, a partir de 19 de setembro. O Bernardinho e toda a comissão técnica (que é praticamente a mesma da seleção brasileira) ficam nesta próxima Superliga e só depois definem o que vão fazer”, comentou Harry Bollmann, supervisor do Rexona, se referindo ao fato de a Liga Mundial tradicionalmente só começar depois dos compromissos dos clubes.
Os próprios jogadores não acreditam na saída do comandante – ainda na Liga Mundial 2008, Bernardinho comentou que uma permanência sua estaria ligada ao apoio dos atletas. “Pelo o que nós lemos por aí, diz que ele e o Zé já assinaram por quatro anos”, afirmou o ponteiro Dante. “Eu acho que ele vai renovar porque a referência hoje é ele e conquistou tudo o que permitira. Acho que o Ary Graça não vai deixar ele sair. Se depender do nosso apoio, ele fica na seleção. Se for por isso, ele já está empregado”, sorriu o jogador.
Entretanto, questionado diretamente pela Gazeta Esportiva.Net sobre seu futuro à frente da seleção brasileira, Bernadinho disse que ainda não teve a oportunidade de fazer isso. “Ainda nem encontrei com o Ary Graça (presidente da Confederação Brasileira de Vôlei) para conversar. Vou ver se resolvo isso nas próximas semanas”, resumiu o treinador.