A correção de falhas no sistema de trânsito e a prudência dos cidadãos poderiam evitar acidentes, sobretudo mortes. Esta é uma das conclusões de um mapeamento das ocorrências do DF, feito pela Fundação de Peritos em Criminalística Ilaraine Acácio Acre (FPCIAA), com o apoio da Polícia Civil e do Ministério Público. O estudo traçou o perfil dos condutores e vítimas envolvidos em acidentes fatais no ano de 2012.
Foram analisadas 391 ocorrências em duas categorias: atropelamento (121) e colisões (270), que resultaram em 417 mortes. Segundo o documento, foram identificados diversos problemas nos locais dos acidentes, como falta de sinalização, acessos clandestinos para as vias e falta de barreiras de fluxo de pessoas. A maioria dos acidentados é homem (80%) e predominam as idades entre 30 e 50 anos. Outro dado chama a atenção: 57% das pessoas mortas ingeriram álcool, ou seja, 238 pessoas foram vítimas da própria imprudência.
As áreas com mais ocorrências são Taguatinga, Ceilândia – que concentram 23% da população do Distrito Federal – e as rodovias que cruzam o DF.
Atropelamentos
Das 121 pessoas atropeladas em 2012, 90% eram homens. Deste montante, 57%, ou 69 pessoas, havia ingerido bebida alcoólica. Entre Ceilândia e Taguatinga e as rodovias marginais a elas foram registrados 20% dos atropelamentos, isto é, 24 pessoas foram mortas – apenas duas eram mulheres. Exatas 14 vítimas haviam consumido bebida alcoólica.
O estudo aponta medidas simples para diminuir o número de acidentes nestas regiões. O primeiro ponto abordado é a reformulação das faixas de pedestre, que muitas vezes ficam distantes do ponto de concentração dos transeuntes. Além disso, é reforçada a necessidade de mais passarelas e de barreiras para que todas as pessoas sejam obrigadas a fazer a travessia pelo local seguro.
Sem registros
O presidente da FPCIAA, Juliano Gomes, explica que no ano de 2012 não houve mortes próximas aos locais apropriados para a travessia de pedestre no DF. “Ninguém morreu atropelado perto das passarelas, em uma distância de mais de 250 metros”, afirma.
Menos casos na chuva
O estudo revelou que o aumento dos acidentes de trânsito em razão da chuva não passa de um mito, ao menos no que diz respeito às colisões fatais. Segundo dados do levantamento, os acidentes provocados pelas adversidades climáticas representam 11% do total de ocorrências de 2012, somando 30 casos. “Quando o período de chuva diminui, os acidentes aumentam. Isso mostra que a chuva não é o maior problema do trânsito no Distrito Federal”, explica presidente da Fundação de Peritos em Criminalística Ilaraine Acácio Acre (FPCIAA), Juliano Gomes.
Ainda segundo o relatório, a maioria dos acidentes fatais ocorreu durante o fim de semana: 45% foram entre o sábado e o domingo. E até o dia de pagamento contribui para esse aumento. Muitas colisões ocorreram no primeiro fim de semana após o quinto dia útil.
A pesquisa foi formulada por meio do cruzamento de informações dos boletins de ocorrência, laudos da perícia da Polícia Civil, dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e os exames de corpo de delito do Instituto Médico Legal (IML). Com esta análise foi possível detectar diversas semelhanças, como também definir as áreas com o maior risco de acidentes.
Melhorias
A pesquisa apontou quais melhorias são necessárias nos pontos de maior registro de acidentes. Procurado para comentar o assunto, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que efetua estudos para diminuir os acidentes de forma contínua e rotineira.
“As sugestões vêm ao encontro das ações que são tomadas pela autarquia, com destaque para a construção de passarelas (16, desde 2011), revitalização de faixas de pedestres, implementação de dispositivos de controle de velocidade do tipo lombadas eletrônicas (40 novos pontos serão contemplados até o final de 2014), fechamento de retornos em rodovias, entre outros”, declarou.
Uma das soluções sugeridas pelo estudo, a construção de barreira física no Eixão para evitar atropelamentos, não foi possível devido ao tombamento de Brasília, ressaltou o DER.
Perfil da ocorrências e dos envolvidos
Foram analisadas 270 colisões com morte nas vias do Distrito Federal. Este montante resultou em 296 óbitos e 53% das vítimas faleceram no local. Grande parte dos acidentes aconteceu por dois motivos: perda do controle do carro (27%) e desvio de direção (25%).
A maioria dos condutores envolvidos em acidentes tem de 30 a 40 anos. Eles representam 30%, ou 81 pessoas. Em seguida estão os jovens de 24 a 30 anos, que totalizam 19%, ou 51 pessoas.
Estes dados contrariam a tese de que os jovens estão mais suscetíveis às ocorrências. “A necessidade de autoafirmação, competitividade, exibicionismo, buscas intensas e prazerosas sensações, em conjunto com a bebida alcoólica, fazem do jovem um forte candidado ao grupo de risco nos acidentes de trânsito”, relata o estudo.
Veículos
Todos os tipos de veículos estão envolvidos em colisões fatais, quase proporcionalmente à quantidade de cada um. Os carros de passeio estiveram presentes em 64,7% dos acidentes, ou seja, 175 carros particulares. Em segundo lugar estão as bicicletas, com 14,2%, seguidas de motocicletas (9,9%) e caminhonetes (9,2).
Veículos pesados, como ônibus, caminhões e tratores, representam menos de 2,5% dos automóveis envolvidos em acidentes com mortes.
Últimas ocorrências
Foi preso ontem um homem acusado de atropelar uma motociclista de 32 anos, próximo ao Pistão Norte.
Policiais foram acionados para prestar apoio ao Corpo de Bombeiros no acidente. Chegando ao local, ao consultar a placa, descobriram que o carro havia sido furtado há dois dias na Asa Sul.
A vítima sofreu várias fraturas e foi encaminha pelo helicóptero dos bombeiros para o Hospital de Base. Seu estado de saúde é grave. O motorista foi preso e conduzido à 35ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho. O veículo, foi restituído ao seu dono.
Já na via Estrutural, um carro capotou e ficou destruído, mas o motorista sofreu apenas escoriações leves. O acidente ocorreu na altura do Setor de Inflamáveis.
E, na Ponte JK, dois carros bateram, mas ninguém ficou ferido.
Números
20% dos atropelamentos ocorreram em Taguatinga e Ceilândia
27% dos acidentes ocorreram após a perda do controle da direção
11% das colisões ocorreram devido à chuva