Por Larissa Barros
Durante o período de seca no Distrito Federal, a qualidade de vida dos brasilienses é diretamente afetada, e os hospitais registram aumento nos atendimentos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), entre janeiro e agosto de 2025, a maioria dos casos por influenza ocorreu em pessoas acima de 60 anos, seguida por crianças menores de dois anos e, depois, por pacientes com comorbidades.
Os números de 2025 reforçam a tendência de crescimento da doença. Em 2023, foram 7.177 casos, e em 2024 houve queda para 6.548 registros. Porém, até a 33ª semana de 2025, já haviam sido notificados 5.986 casos, número superior ao mesmo período de 2023 (5.321) e de 2024 (4.517). Dados mais recentes apontam que, até a 36ª semana, o total já chegava a 6.377 notificações. Em relação ao mesmo período de 2024, observa-se aumento de 37% nos casos de SRAG (4.647) e crescimento de 3% nos óbitos (136).
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou boletim do InfoGripe que coloca o DF em alerta de alto risco para SRAG. O levantamento compara o histórico desde a vacinação contra a covid-19 e mostra que, no Distrito Federal, os casos não só estão em crescimento como também indicam piora nas próximas semanas.
Segundo a pesquisadora do InfoGripe, Tatiana Portella: “No DF, a gente observa um crescimento dos casos de SRAG entre jovens, adultos e idosos, impulsionado pelos vírus da Influenza A e da Covid-19. Já entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, o aumento dos casos de SRAG associado ao rinovírus tem mostrado sinais de desaceleração. O InfoGripe reforça a importância de que as pessoas dos grupos de risco estejam em dia com a vacinação contra a Covid-19 e a Influenza A, já que essa é a principal forma de prevenção contra os óbitos e os casos graves dessas doenças”.
A gravidade também se reflete nos óbitos. De janeiro a setembro deste ano, o DF registrou 46 mortes por SRAG, com maior concentração entre pessoas acima de 60 anos. O grupo de maiores de 80 anos foi o mais atingido. Outro dado que chama atenção é que 40 das vítimas faziam parte do público-alvo da campanha de vacinação contra a influenza, mas apenas 10 haviam se vacinado. Entre as comorbidades associadas, às doenças cardiovasculares foram as mais frequentes.
De acordo com a SES, o clima seco favorece o surgimento de doenças respiratórias. A baixa umidade resseca as vias aéreas e a mucosa nasal, reduzindo a proteção natural do organismo e facilitando a entrada de vírus e bactérias. Além disso, o tempo seco também pode causar ressecamento da pele e irritação nos olhos, agravando quadros de alergia e asma.
A secretaria reforça que a influenza pode afetar todas as idades, geralmente com sintomas leves, mas que podem evoluir para quadros graves em idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades. A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. Atualmente, a vacina contra influenza está disponível em mais de 100 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do DF. Também é oferecida a vacina antipneumocócica, recomendada para idosos, pacientes com doenças pulmonares crônicas, asma grave, infecções respiratórias frequentes ou imunidade comprometida.
Especialistas ainda destacam medidas simples para reduzir os impactos do tempo seco e proteger a saúde: manter-se hidratado, evitar atividades físicas em horários de maior calor e baixa umidade, usar umidificadores, soro fisiológico para higienização nasal, roupas leves e colírios. Pacientes com sintomas leves, como febre, coriza e tosse, devem procurar a UBS mais próxima. Já os casos graves são encaminhados a especialistas, como otorrinolaringologistas, pneumologistas ou infectologistas.
O cuidado deve ser redobrado com crianças e idosos. Para os pequenos, a recomendação é não substituir a água por bebidas açucaradas. Já os idosos, que tendem a sentir menos sede com o passar dos anos, são mais vulneráveis à desidratação. Sinais de alerta incluem urina escura, boca seca, tontura, câimbras, fraqueza e, em situações graves, confusão mental.