Doentes crônicos e acamados que precisam do constante auxílio de um cuidador contam com atendimento exclusivo e de alta qualidade. É o Programa de Internação Domiciliar, da Secretaria de Saúde, que atualmente presta assistência a 1.218 pacientes do Distrito Federal.
“A importância maior do programa é que esses pacientes crônicos possam ser acompanhados junto a suas famílias, com atenção hospitalar em casa e tendo mais qualidade de vida”, destacou a subsecretária de Atenção Primária Rosalina Aratani Sudo.
Entre as patologias mais comuns dos internados em casa estão Alzheimer, Acidente Vascular Cerebral (AVC), Parkson, doenças crônicas agravadas com sequelas por hipertensão, diabetes e que necessitem cuidados paliativos, tanto oncológicos quanto neurológicos, cardiológicos e pneumológicos.
Cada equipe que atende aos pacientes está vinculada a um Núcleo Regional de Atenção Domiciliar (NRAD). Ela é multidisciplinar e tem entre oito e 10 profissionais, incluindo médico, fisioterapeuta, nutricionista, enfermeiro, técnico de enfermagem, psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, fonoaudiólogo e odontólogo.
A gerente de Atenção Domiciliar, Maria Leopoldina de Castro Villas Boas, explicou que um dos objetivos da iniciativa é que os parentes participem da definição do processo terapêutico dos doentes. “As equipes de profissionais da saúde discutem com as famílias qual a melhor forma de atender a demanda do paciente, criando um tratamento individualizado”, frisou.
Outra prioridade do programa é a figura do cuidador, normalmente um familiar. Ele é treinado pelas equipes dos NRADs para tomar conta dos doentes em casa. De acordo com a subsecretária de Atenção Primária, Rosalina Sudo, essa medida beneficia tanto o paciente e familiares, quanto as demais pessoas que procuram os serviços de saúde.
“Ao possibilitar a saída dos hospitais, dos doentes crônicos, internados por longos períodos, a atenção domiciliar libera leitos hospitalares de clínica médica complexa para pacientes com maior rotatividade”, acrescentou.
MELHORAS – Rita de Cássia Costa, mãe de Marta Raquel Alves, de 22 anos, mudou-se de Águas Lindas para Samambaia para poder cuidar da filha que foi atropelada em Goiás. Marta ficou durante um longo período em coma induzido, passou semanas internada em vários hospitais do DF e perdeu o bebê de uma gestação de cinco semanas.
No dia 6 de junho, no entanto, a jovem iniciou a internação familiar. Quatro dias depois de voltar para casa, Marta voltou a falar. “O pessoal da NRAD está abismado com a melhora. Hoje choro é de alegria, porque minha filha está aqui. Ela já não tem mais febre, não vomita, já faz alguns movimentos, brinca, sorri, reconhece todo mundo e até canta”, comemorou, Rita, emocionada.
Vinícius Queiroz, filho da aposentada Francelina Rodrigues, 62 anos, vítima de AVC, também acredita que o atendimento em domicilio proporciona resultados positivos ao tratamento médico. “Minha mãe melhorou bastante. O carinho, a afetividade e os cuidados dos profissionais tem sido fundamental na melhora dela”, afirmou.
EVOLUÇÃO – O primeiro projeto de internação na casa dos pacientes ocorreu em Sobradinho, em 1994. O programa começou como uma iniciativa voluntária de profissionais de saúde para melhorar a qualidade de vida de doentes crônicos, para que pudessem deixar os hospitais e voltar para suas casas e conviver com a família, mas com suporte de atenção especializada.
O impulso ao programa de internação domiciliar ocorreu em 2012, quando passou de três equipes para 15, uma para cada regional. Atualmente, há 16 equipes do programa de atenção domiciliar, duas delas atendendo em Sobradinho e a previsão é que até 2015 chegue a 24, para conseguir cobrir 100% da população do DF.
Os potenciais pacientes para o programa são identificados nos hospitais e é feito todo um trabalho com os familiares para que se decida pela internação domiciliar.
Apesar de ser essa a principal via para a participação no projeto, qualquer pessoa pode solicitar em um Núcleo Regional de Atenção Domiciliar (NRAD) a hospitalização em casa, levando relatórios médico e de assistente social. Depois de feito o pedido, o núcleo correspondente visitará a residência do paciente e avaliará se o seu perfil encaixa com o dos pacientes do programa.