Raphaella Sconetto
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Saúde, educação e segurança pública. A tríade com os temas considerados prioritários neste período eleitoral foi discutida neste sábado (4) durante o evento “O DF que a gente quer”. O projeto debateu outros temas como cultura, esporte, comércio e sustentabilidade. A iniciativa é do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese-DF) e a ideia é apresentar um documento com propostas aos candidatos ao governo do Distrito Federal.
No painel de saúde estavam presentes Ismael Alexandrino, diretor-presidente do Instituto Hospital de Base; Bruno Ricardo Prieto, presidente da Sociedade Brasiliense de Oftalmologia; e Alexandre Bitencourt, gestor da câmara técnica do conselho e presidente do Sindicato dos Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas do DF (Sindilab-DF).
Entre as propostas para o futuro da saúde pública, a mesa apontou a modernização e qualificação da rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS) com estrutura física adequada e a organização da rede de atenção primária à saúde.
“Saúde é atenção primária. Se a gente consegue prevenir, a gente evita as mazelas que fazem com que os pacientes venham até as emergências. Nossas propostas visam orientar os gestores para que eles possam aprimorar a saúde do DF daqui pra frente”, destacou Alexandre Bitencourt.
O diretor-presidente do Base levantou também a proposta de promover o acesso à saúde em horários alternativos, como o terceiro turno. “A saúde não escolhe dia e horário. Conseguir fazer um acesso à saúde mais horizontal, seja em uma unidade pública ou privada, é conseguir melhorar o acesso. Só que não dá para fazer gestão com as mesmas leis e regras de quando o SUS foi criado. Precisamos modernizar a legislação”, defendeu.

Raphaella Sconetto/Jornal de Brasília
Segurança
Para a segurança pública, a câmara técnica do tema propôs o monitoramento por meio de câmeras de segurança em todas as regiões administrativas da capital; mudanças no efetivo dos batalhões da Polícia Militar e das delegacias da Polícia Civil, de modo a reduzir o número de servidores em postos administrativos; e a reabertura dos plantões das delegacias de maneira ininterrupta.
“Nossas propostas levam em consideração a crise financeira ressaltada pelo governo. Primeiro, tirar polícias civis e militares dos serviços meramente administrativos e colocá-los na atividade-fim, prevenindo e combatendo o crime. Estagiários de Direito poderiam ficar nesses lugares, sendo supervisionados”, sugere Mauro Cezar Lima, gestor da câmara técnica.
Outro conselho é aumentar o serviço voluntário nas horas em que os policiais estiverem de folga e chamar candidatos de concursos públicos que aguardam pela nomeação. “O Codese tomou conhecimento dessa demanda e os 217 aprovados nos procuraram para checar se o concurso deles era legal. Com esse número, conseguimos reabrir seis delegacias”, acrescenta Lima.
Educação primária em foco
Com três professores à frente do painel de Educação, o evento trouxe um debate voltado ao acesso à educação na primeira infância e, consequentemente, à garantia de que meninas e meninos possam completar os ensinos fundamental e médio dentro da faixa etária adequada. Outro ponto destacado foram as estruturas precárias das escolas do DF.
Edilane da Silva Lira, professora de ensino médio, lamentou a realidade de crianças que estão fora das salas de aula. “É inadmissível isso acontecer na capital do País. Quando a criança começa a ser educada desde a primeira infância, ela tem um desenvolvimento cognitivo e emocional muito melhor. Isso garante que ela será um cidadão mais produtivo e eficiente”, argumenta.
“Quanto mais tarde se entra na escola, mais difícil fica a aquisição de conhecimento e o desenvolvimento intelectual. Com isso, as séries seguintes se tornam mais difícil e muitos acabam desistindo”, completa.
Para ela, na educação não se trata de gasto, mas de investimento. “Isso é prioridade em qualquer país que deseja se tornar uma grande nação”, conclui Edilane.
Gestão também foi assunto
Para uma boa educação, saúde e efetividade na segurança pública, é preciso uma gestão pública eficiente. No evento “O DF que a gente quer” também foram apresentados pontos para melhorar a gestão pública da capital. Entre as propostas estavam a diminuição de cargos comissionados e a cobrança por políticas transparentes.
População pode contribuir
Aqueles que não puderam estar presentes aos debates podem contribuir pelo site www.odfqueagentequer.org, até segunda-feira (6). Na próxima semana, o Codese vai concluir o documento “2018 – 2030: o DF que a gente quer” e o entregará aos candidatos ao governo do DF a partir do dia 20 de agosto.