Com apenas dez dias de vida, a pequena Ana perdeu a mãe, cujo socorro foi negado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-192). Eram 7h30 quando a filha de dez anos de Márcia das Chagas Gonçalves, 30 anos, correu ao quarto da tia para avisar que a mãe não estava nada bem. A doméstica tremia muito, já não conseguia andar, suava e tinha fortes dores na cabeça, no peito e na nuca.
Em desespero, a cunhada, que mora no Varjão, Mônica Moreira de Souza, de 30 anos, ligou para o Samu pedindo socorro. “Eles atenderam, me pediram o endereço e passaram a ligação para o médico. Contei o estado dela, mas ele apenas me mandou dar umas 20 gotinhas de dipirona para ela e conseguir um carro para levá-la ao Posto de Saúde assim que melhorasse”, conta, com revolta.
Mônica resolveu não esperar e correu ao orelhão para pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros, que garantiu mandar a ambulância de imediato. Quando chegou em casa, a cunhada foi direto à cozinha para preparar um chá para as crianças, que estavam em desespero, até ser chamada ao quarto mais uma vez. “Quando cheguei ao local, Márcia estava com os olhos virados, a língua enrolada. Eu puxei a língua dela e fiz uma massagem no peito até ela soltar uma espécie de saliva branca”.
Cerca de 15 minutos depois, os bombeiros chegaram e levaram Márcia ao hospital. A cunhada acompanhou a equipe enquanto carregava nos braços a pequena Ana, de dez dias de vida. “Foi muito difícil, Márcia estava sem pulso, com a boca roxa e eles tentando reanimá-la e fazer um milagre”. A mulher foi levada para o Hospital Regional da Asa Norte praticamente sem vida e morreu no local. “Se o Samu tivesse vindo na hora que eu pedi, talvez ela ainda estivesse viva”.
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