Os comerciantes de Samambaia sofrem com os roubos na cidade. É difícil encontrar uma loja que ainda não tenha sido assaltada. Quem trabalha no ramo tem que confiar na sorte. Só em 2009, foram registrados 2.375 roubos em comércios na cidade.
“A gente fica contando com a proteção divina”, diz o dono de uma loja de instrumentos musicais, que não quis se identificar. Só no último ano, o local foi assaltado a mão armada duas vezes e sofreu três arrombamentos. Ele confessa que tinha o sonho de ampliar o negócio, que mantém há 12 anos, mas desistiu. “A gente fica se sentindo coagido”, afirma. O comerciante sente falta de policiamento. Para se prevenir, ele teve que tirar dinheiro do bolso e investir em segurança. Instalou alarmes e contratou um segurança particular para proteger a loja durante a noite.
Os roubos também acontecem à luz do dia. Nessa mesma loja, um dos assaltos a mão armada ocorreu por volta do meio-dia. “Quando havia policiais que faziam ronda de bicicleta ajudava bastante”, opina. “Agora a polícia fica lá parada nos postos comunitários e raramente sai. Não é a mesma coisa de quando passa a pé”, diz. A maioria dos assaltantes usa a bicicleta, então, acredita, ficava mais fácil prendê-los.
Os funcionários do comerciante ficam receosos. “É uma situação constrangedora para qualquer um”, afirma um deles. O outro, que trabalha há quatro anos no local, diz que quando escurece é pior. Foi no período noturno, ao fechar a loja, que ocorreu um dos assaltos. O dono havia acabado de receber um pagamento e saía com mais dinheiro na mão do que o normal. Mais na frente, um outro veículo o fechou e ele foi obrigado a parar. Levaram R$ 3.500 e o carro do comerciante. Agora, ele não consegue mais acreditar na eficácia da polícia. “Quando o roubo é pequeno, nem registro mais ocorrência. Não resulta em nada”, declara.
Medo
No ano passado o número de roubos em comércio da cidade alcançou uma média de mais de seis por dia. Os furtos em 2009 contabilizam 3.993. Se somados os dois tipos de crime, o número de registros por dia chega a 17.
O comerciante da loja ao lado mora em Samambaia há 26 anos e conta que o mais comum na cidade é o arrombamento. Mas parece estar acostumado com a situação. “Medo todo mundo tem, mas temos que enfrentar”, diz.
No dia do assalto ele conta que não estava na loja, apenas os filhos. Dono do estabelecimento há seis anos, nunca pensou em fechar as portas. “O ladrão também tem medo da gente”, afirma. Ele diz que, além de se proteger, é necessário saber se defender. Assim, na opinião dele, o assaltante também fica inseguro na hora de assaltar e o roubo pode ser menor.