Raphaella Sconetto
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O vendedor Thiego Amorim, de 34 anos, envolvido em uma confusão com Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, no início deste mês, foi demitido da loja em que trabalhava em um shopping da capital. A demissão foi formalizada na última quinta-feira (10), mas só na noite de domingo (13) o funcionário se manifestou sobre a saída, em seu perfil no Facebook. Em entrevista ao Jornal de Brasília, Thiego diz que a “loja ficou pequena para ele”. Por nota, empresa reafirma que não compactua com atitude.
Apesar da notícia, o vendedor alega que não foi pego de surpresa. “Depois da carta que a dona da loja enviou à ministra, pedindo desculpa e dizendo que ela tinha visto o vídeo e que não teve agressão, eu imaginei que isso poderia acontecer”. Segundo Thiego, a justificativa dada pela dona da loja Cantão foi que seu contrato havia acabado e não seria renovado.
“A proprietária disse (da demissão) enquanto eu estava no estoque. Uma cliente viu e questionou. Mas saio de cabeça erguida. Na verdade, a loja ficou pequena para mim. A dona sabe do meu potencial, sabe que sou um bom profissional e sabe que consigo cativar clientes. Em todos os meses, bati metas. Estou triste porque gostava de trabalhar lá, das outras vendedoras. Vesti a roupa do que a marca quer passar, mas a dona está indo contra o que a marca desenvolve”, pontua.
Nas 48 horas seguintes à demissão, o vendedor não descartou que já existem outras possibilidades de emprego. “Se me colocar para vender água, vou vender”, destaca. “Minha cartela de clientes aumentou. Estou com muitos seguidores. Foram três meses de muito sucesso”, completa.
Questionado se ficou arrependido após a repercussão do caso, Thiego nega. “Se amanhã eu começar um emprego e ela (Damares) entrar na loja, vou questioná-la novamente. Me arrependeria se me diminuísse para caber no mundo de outra pessoa. Se eles acham que são grandes, eu também não estou só”, enfatiza.
Por fim, Thiego cobra a divulgação das imagens do circuito interno da loja. Ele alega que fez o pedido para a dona, mas que ainda não recebeu. “Entrei com uma ação na PGR (Procuradoria Geral da República) de vias de fato. Ela (ministra) tocou em mim, sem minha autorização, como se fosse um ‘escuta aqui, garoto’. Se estão negando, podiam ter divulgado o vídeo. Agora, a dona vai ter que entregar na Justiça”.
Contrato encerrado
Procurada, a loja ainda não se manifestou formalmente sobre a demissão de Thiego Amorim. Por telefone, a gerente, que se identificou apenas como Magabi, informou que optou por encerrar o contrato de experiência do vendedor. Ao ser questionada se o vídeo teria ligação ou não com a saída, a mulher pediu que a reportagem procurasse a dona da loja. Por sua vez, a proprietária Carolina Pulga pediu que o Jornal de Brasília entrasse em contato com o porta-voz da marca, no Rio de Janeiro. O homem, então, pediu para que a assessoria de imprensa fosse acionada.
Por nota, a marca se posicionou. “Há dez dias, começou a circular na internet um vídeo que mostrava o atendimento inadequado de um colaborador da Franquia do Brasília Shopping. Internamente, passamos esse período analisando e refletindo sobre cada um dos comentários feitos nas redes sociais. Durante esse tempo, também conversamos com as partes, apuramos os fatos com respaldo jurídico e buscamos entender o ocorrido de forma coerente e humana”, escreveu, nas redes sociais.
No texto, a Cantão reafirmou o argumento de que não aprovou a forma como o funcionário tratou a ministra.
“A marca apoia a liberdade de expressão de todos os seus colaboradores desde que não comprometa a qualidade do atendimento, que deve prezar pela simpatia, educação e respeito, sem distinções. Informamos que o funcionário já não faz mais parte do equipe da Franquia do Brasília Shopping. Ele estava em período de experiência que se encerrou no dia 10/01/2019”, finalizou a nota.
Relembre
No dia 3 de janeiro deste mês, a ministra Damares Alves disse ter sido constrangida, após ser filmada por Thiego deixando a loja Cantão, do Brasília Shopping. Nas imagens, é possível ouvir o vendedor dizendo: “você é quem constrangeu, amor”. Na data, a ministra vestia uma roupa azul e teria sido questionada sobre o porquê de optar por aquela cor, fazendo ligação com mais uma polêmica em que Damares se envolveu.
Na mesma data, a ministra apareceu em um vídeo que anunciava que meninos deviam vestir azul, enquanto meninas, rosa. O vídeo viralizou nas redes sociais e virou meme na internet. Com a repercussão, Damares reagiu. “Fiz uma metáfora contra a ideologia de gênero, mas meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhor”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo.