Roubos, furtos, latrocínios e receptações, os chamados crimes contra o patrimônio, assustam a população. E não é para menos: este tipo de delito aumentou 12,4% em 2013. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública, que atribui o resultado à greve de 81 dias da Polícia Civil em 2012. Com isso, muitos crimes teriam deixado de ser registrados, refletindo nas estatísticas. Os brasilienses, no entanto, reclamam: não se sentem seguros.
O diretor-geral da Polícia Civil, Jorge Luiz Xavier, reconhece a gravidade do problema. “Os crimes patrimoniais do varejo, do cheirador de cola, do consumidor de crack, são realmente muito altos. “, disse. Ele sugere a necessidade de revisão das leis. “Ninguém fica preso mais de oito meses por roubo. A sentença é de cinco anos e quatro meses em regime semiaberto, com progressão para oito meses. Se for preso de novo, pega seis anos e cumpre nove meses, um ano, em regime fechado, e está de volta às ruas”.
Apesar de tentar manter a postura positiva diante do cenário, o próprio secretário-adjunto de Segurança, Paulo Henrique de Oliveira, admite a necessidade de aumentar as vagas nos presídios e de um novo concurso para a polícia. “A produtividade está crescendo. Contudo, a PM está com efetivo de 14 mil homens e o ideal, previsto em lei, são 18 mil homens. A nossa capacidade de manter as pessoas encarceradas está diminuída justamente pelas forças policias. Está se prendendo muita gente. Não temos vagas nos presídios”, ressaltou.
Homicídios
O relatório aponta, entretanto, queda em outros crimes. De janeiro a novembro do ano passado foram registrados 608 homicídios, média de 50 por mês e dois por dia. Já em 2012, foram 723 mortes, uma redução de 16%. “Conseguimos proteger mais de cem vidas”, comemorou o secretário-adjunto.
Outro número que decresceu foi o de roubo com restrição de liberdade, com redução de 25,5% em relação ao ano anterior, saindo de 709 para 540. Já os sequestros relâmpago sofreram uma redução de 45,7%, saindo de 9 para 5 em 2013. “No roubo com restrição de liberdade, o ladrão não pede dinheiro para a vítima. No segundo caso, já tem a característica do dinheiro, como uma extorsão”, esclareceu Oliveira.