O governador Rodrigo Rollemberg (foto) deve estar acreditando mesmo que receberá ajuda do governo federal e do presidente Michel Temer para enfrentar a grave crise financeira e econômica do Distrito Federal. Só essa esperança pode explicar a entrevista que deu ao Correio Braziliense – e que ele mesmo sugeriu ao jornal que fizesse.
A entrevista só traz de novo a defesa que o governador faz do impeachment e sua recusa à tese do golpe. Até agora, Rollemberg vinha evitando se posicionar quanto ao afastamento de Dilma Rousseff, o que ele explica na entrevista: “Se eu tivesse, em algum momento, tomado qualquer posição, isso contribuiria para a radicalização em Brasília e comprometeria a segurança”.
Ficou calado até agora, poderia ter continuado calado. Se resolveu tomar posição após o resultado no Senado, é porque achou que valeria a pena falar.
No caminho tem um Filippelli
A estratégia de Rollemberg é arriscada e com grande probabilidade de ser um tiro n’água. Ao apoiar o impeachment e dar um voto de confiança a Temer, o governador, como o senador Cristovam Buarque, afasta-se ainda mais da “esquerda” e não se aproxima da “direita”, que tem um de seus maiores representantes, Tadeu Filippelli, ocupando gabinete a poucos metros do presidente da República.
A mais de um interlocutor Filippelli já disse que não há, no governo federal, nenhuma disposição de dar tratamento preferencial ao Distrito Federal. O governo federal não tem recursos sobrando e conceder benefícios diferenciados ao governo de Brasília desagradaria aos governadores de estados e poderia gerar efeito cascata.
Além do que Filippelli tem planos políticos para 2018, e esses planos não passam pelo fortalecimento de Rollemberg.
A lógica da política é outra
O governador tem pesquisas que mostram que a maior parcela do eleitorado brasiliense se situa no centro e que os que se colocam à direita superam em 6 a 8 pontos percentuais os que se dizem de esquerda. E é notório que a maioria dos brasilienses era favorável ao impeachment de Dilma.
O raciocínio linear que o governador pode estar fazendo é simples: ao defender o impeachment e recusar que houve golpe, está ao lado da maioria da população. E se perde a esquerda, ganha o centro e a direita.
Só que a política não se move por raciocínios lineares.
Sem muito jogo pela esquerda
Outra aposta que o governador pode estar fazendo é na falta de opções da “esquerda” para as eleições de 2018. Dificilmente o PT se recupera a tempo, se é que se recupera, para apresentar um candidato competitivo. E, como os demais partidos à “esquerda”, não tem candidatos que se destaquem. Os deputados Joe Valle, do PDT, e Chico Leite, da Rede, são lembrados como alternativas. Mas ambos sabem que estão em uma encruzilhada: se Rollemberg chegar a 2018 em condições de disputar as eleições, dificilmente serão candidatos contra ele; se o governador chegar mal ao ano eleitoral, o desgaste da “esquerda” – depois das más gestões de Cristovam Buarque, Agnelo Queiroz e Rollemberg – tirará qualquer chance de sucesso de quem tenha esse perfil.
O jogo está longe de ser definido
Esse é, porém, o raciocínio puramente local. Não pode ser ignorado que os candidatos a presidente da República tendem a ter candidatos a governador com eles alinhados. É bem provável que o PDT, com Ciro Gomes, e a Rede, com Marina Silva, tenham candidatos a presidente da República em 2018. O PSol, a julgar por sua história e tendências, também.
A questão, então, é com quem estará o PSB de Rollemberg: com candidato próprio, apoiando Ciro e Marina ou alguém do PMDB ou do PSDB. A partir daí é que as alianças e os candidatos poderão ser definidos.
Tudo, pois, está em aberto.
Opção pelo flanco direito
Ao ler a entrevista de Rollemberg, com elogios a Michel Temer e a afirmação de que não tem dificuldades para dialogar com Tadeu Filippelli, um petista não resistiu:
— Desta forma ele pode ser vice do Filippelli em 2018.
Só isso mesmo?
Já um empresário brasiliense decepcionou-se com a resposta em que o governador diz, literalmente: “Há duas coisas no Distrito Federal que vamos fazer no nosso governo: a desocupação e abertura ordenada da Orla do Lago e o fechamento do lixão”. “Achei muito pouco e pequeno demais”, lamentou o empresário.
A história se repete no Mané
O governo de Brasília não recebeu um só real pelo aluguel do Mané Garrincha para o jogo de vôlei entre Brasil e Portugal. Segundo as normas em vigor desde a gestão anterior, as confederações não pagam pela utilização do estádio.
Como já é rotina, a organização do evento foi desastrosa, o público enfrentou enormes filas porque só dois portões foram abertos, o jogo começou com muita gente ainda do lado de fora, bares estavam fechados e banheiros sujos.
O secretário adjunto de Turismo, Jaime Recena, ouviu muitas reclamações e disse que está tentando mudar as normas para que os organizadores – no caso de ontem, a Confederação Brasileira de Vôlei – tenham de assumir algumas obrigações para que o público não seja prejudicado.
O governo só tem os ônus, e nenhum bônus.