As forças de segurança se prepararam para receber as 32 delegações que disputarão a Copa do Mundo, além dos milhões de turistas. Ontem, a Polícia Federal demonstrou parte do equipamento antibomba e anunciou que ações preventivas estão respaldadas por experiências recentes.
De acordo com o coordenador de segurança para grandes eventos do DF, Elmiz Rocha Júnior, sete mil agentes da PF trabalharão nas 12 cidades-sede. Na capital, o efetivo empregado será de 400. “Dentro do universo da inteligência, todas as situações foram previstas”, diz.
Eventos de grande porte como a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, e os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foram observados como modelo. “Tivemos nossas próprias experiências com a Jornada Mundial da Juventude e Copa das Confederações. Estamos bem preparados”, disse.
Dispositivos
O JBr. conferiu alguns dos dispositivos antibomba empregados pela corporação. Para uma disrupção, ou seja, o desmembramento de malas suspeitas, o equipamento é um fio de 20g de nitropeno mergulhado em uma garrafa PET cheia d’água
“A força da explosão desse fio impulsiona a água e destrói o tecido. É ideal para materiais mais maleáveis”, afirmou o perito Eduardo Monteiro de Queiroz. Ele frisou que os procedimentos de filme, em que o herói corta fios de bombas, não correspondem à realidade. “Nossa atuação se dá remotamente”, pontuou.
Para tal, a PF possui robôs importados do Canadá e Estados Unidos. Eles possuem uma arma que pode perfurar superfícies sólidas e desarmar explosivos. O controle é feito de longe. “Todo chefe de Estado pede, no mínimo, uma varredura de comboio, e esse robô é bastante usado”, explica.
Atenção a autoridades
O perito Willy Hauffe garante que a PF está bem treinada e já teve experiência em evento de maior porte do que a Copa do Mundo em Brasília: a posse da presidente Dilma Roussef. “Foi criado um gabinete monitorado pelo Exército e houve integração de todas as forças de segurança. Na posse, havia 62 chefes de Estado, incluindo alguns como Hugo Chávez. Tudo correu bem”, disse.
Para a Copa, a coordenadoria de segurança disponibilizará agentes que falam os idiomas de cada delegação. É um trabalho em conjunto com a Polícia Internacional (Interpol).
Uso restrito do Lago Paranoá
A Marinha definiu uma zona de restrição nas proximidades dos hotéis e será a responsável pela segurança das delegações hospedadas às margens do Lago Paranoá. O perímetro de segurança será de 300 metros a partir do píer dos estabelecimentos. A medida evita interferências na concentração dos jogadores.
A operação começa na segunda-feira, e a área de restrição será desativada em 17 de julho. Assim, durante esse período, apenas embarcações autorizadas poderão transitar no local. A mesma regra vale para banhistas ou usuários de objetos como caiaque e pranchas. O limite será demarcado por embarcações da Marinha, que serão posicionadas ao longo do perímetro.
O comandante da Força Naval Componente, capitão de Mar-e- Guerra, Haroldo Vasques, esclarece que a medida não irá impedir o uso do Lago Paranoá pela população e os turistas. “O objetivo é facilitar a segurança das delegações que se hospedarão nos hotéis próximos ao lago. Mas não se trata de uma área extensa, que cause transtorno aos usuários. É apenas uma restrição, e não um bloqueio”, explica.
A Marinha já atua diariamente no Lago Paranoá, 24 horas por dia, em especial aos fins de semana e feriados. Durante o Mundial, esse serviço será intensificado, com o emprego de dez embarcações e cerca de 60 militares. A abordagem de condutores com sinais de embriaguez, por exemplo, continua. Tudo para resguardar a segurança dos usuários.
Banhista será informado
Assim como em dias normais, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros também vão colaborar com o trabalho. As embarcações que tentarem ultrapassar o perímetro delimitado serão interceptadas e inspecionadas. O condutor, ou o banhista, será avisado sobre a proibição de circular no local, mas poderá seguir o trajeto livremente, por qualquer rota não demarcada.
Em caso de insistência ou desrespeito, os militares poderão notificar o cidadão, ou ainda apreender a habilitação e a embarcação. Os usuários dos hotéis protegidos poderão embarcar e desembarcar, mas estão sujeitos a regras específicas.
A instituição poderá impedir ou alterar o trajeto para evitar choque com a agenda das delegações.
Números
300 metros a partir do píer dos estabelecimentos será o perímetro de segurança
60 militares da Marinha e dez embarcações estarãomobilizados no Lago Paranoá
Saiba mais
A PF conta com diversos outros aparelhos, como as roupas de proteção MK-2. São as mesmas vistas no filme ganhador do Oscar “Guerra ao Terror”.
Outro evento utilizado como teste para os agentes da PF foi a Rio+20. Basicamente, os integrantes da corporação assistem às operações de segurança e aprendem as técnicas de segurança.