Jéssica Antunes
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Uma larva que se alimenta de tronco pode ter sido responsável pela queda de uma árvore que feriu duas idosas na Praça do Relógio, em Taguatinga, na manhã de ontem (11). Os galhos firmes e as folhas verdes disfarçaram a situação crítica por dentro e o caso passou despercebido por uma ação preventiva realizada há menos de dois meses. Outras duas árvores devem ser retiradas do local por risco de queda.
Maria Jovercina de Fatima, 62 anos, e Maria Helena Borges Pires, 67, foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros e levadas feridas ao Hospital Regional de Taguatinga, mas sem gravidade. A área passou por perícia da Polícia Civil e a Novacap foi acionada para avaliar as outras duas árvores do mesmo quadrante. Caberá à Administração de Taguatinga o corte e a retirada da árvore, da espécie Monguba.
“Quando chegamos, encontramos a árvore caída. A situação poderia ser mais grave, mas, felizmente, não havia muita gente no local. Há muita incidência de quedas de árvore em todo o DF em grandes tempestades. Desta vez a situação foi atípica, sem chuvas e ventos. Sabemos que essas árvores são antigas”, afirmou ao Jornal de Brasília o major Lourival Correia.
Dano gera indenização
- Em setembro, a Justiça condenou a Novacap e o Distrito Federal a indenizarem um dono de veículo que foi atingido por um árvore em janeiro, quando estava estacionado na Asa Sul. A juíza estipulou R$ 12 mil de indenização por danos materiais, mas negou danos morais e colocou a responsabilidade de poda, retirada e conservação das árvores dos logradouros públicos como responsabilidade da empresa pública.
- Em 2015, uma mulher que teve parte da casa destelhada e o muro da residência derrubado pela queda de uma árvore recebeu R$ 1.031,38 de danos materiais e morais. O acidente aconteceu em fevereiro de 2009 durante uma forte chuva. A vítima já havia solicitado a retirada por risco à Administração Regional do Recanto das Emas.
A Novacap garante que aconteceu uma ação preventiva na Praça do Relógio há menos de dois meses. “Como a árvore estava verde e com aparência de sadia, não havia nenhuma solicitação de vistoria de poda para ela”, explicou.
Engenheiros florestais da empresa avaliaram preliminarmente que a causa pode ter sido o besouro Euchroma gigantea, já que um estágio da larva do inseto se alimenta do tronco. O besouro, chamado besouro metálico, que chega a 8 cm de comprimento, tem a carapaça brilhante não chega a provocar danos à árvore. As larvas, que podem atingir 12 cm, comem o miolo dos troncos e escavam raízes.
Momentos de tensão
“Quando vi, a árvore já estava tombando”, conta Juarez de Lima, aposentado de 69 anos que estava a poucos passos de distância. Ele testemunhou quando o tronco atingiu duas senhoras que vendiam artesanato no local.
“Apesar de tudo, felizmente caiu naquela direção, que estava mais vazia. Para cá havia mais de dez pessoas. Poderia ter acontecido uma tragédia maior”, diz.
Vizinha de banca das vítimas, Idalina Cavalcante, 66 anos, chorou ao ver o incidente: “Fiquei desesperada, gritei, fiquei com medo”. Também artesã, Bernadete Bezerra, 59 anos, só se acalmou quando viu que as colegas estavam bem, apesar do susto.
Ponto de vista
Professora do Departamento de Engenharia Florestal da UnB e doutora em Ecologia, Carmen Correia alerta que uma árvore não cai sozinha: “Mesmo fragilizada, a árvore precisa de fator externo para cair, como impacto de batida ou raízes comprometidas”. De acordo com ela, são fatores influenciadores a idade da planta, a fragilidade do sistema radicular, a ausência de desenvolvimento das raízes e a incidência de insetos, como o caso. “A população tem que ser orientada a perceber os sinais da árvore. Se caem galhos e folhas, se a aparência está seca ou rachada, ou qualquer indicação que altere a aparência são sinais de que há danos. É preciso chamar a Novacap”, avisa.