Menu
Brasília

Revisão tarifária da CEB ficou abaixo do esperado e compromete planos de investimentos

Arquivo Geral

26/08/2012 11h54

Soraya Sobreira

soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br

 

Em termos de qualidade, a Companhia Energética de Brasília (CEB) está entre as últimas no ranking nacional feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Foram analisadas as 33 maiores distribuidoras de energia elétrica no Brasil. O resultado fez com que a agência penalizasse a companhia com um reajuste mínimo. Em reunião extraordinária, foi aprovado um índice de 1,54% para a revisão tarifária da CEB. O valor é considerado baixo já que a Companhia Energética lutava para alcançar um reajuste estimado em torno de 6,01%. 

 

Com isso, o  superintendente de Assuntos Regulatórios da CEB, Reinaldo de Lima, admite que o  grande desafio da companhia,  agora, é melhorar a qualidade do serviço  e do produto, diante dessa redução de recursos aliada ao elevado patamar de crescimento do consumo de energia elétrica, no exigente mercado do Distrito Federal.

 

O resultado é que, com os investimentos recentes,  a empresa tem operado cada vez mais no vermelho. “Há uma redução de 2,17% nos recursos destinados à CEB para operar e manter o sistema elétrico e processos comerciais, remunerar os investimentos e combater a inadimplência (receitas irrecuperáveis)”, reclama  Reinaldo de Lima.

 

Baseado nas mesmas taxas de crescimento dos últimos quatro anos, em 12 anos o consumo de energia será duplicado, enquanto o número de unidades consumidoras crescerá 50%. “Nossas margens de lucro estão ficando apertadas”, confessa Reinaldo. “Temos que melhorar nossa eficiência nos serviços prestados e conciliar os gastos. Queremos, então, fazer o compromisso de  recuperar a companhia financeiramente e tecnicamente para distribuir energia elétrica com qualidade”, promete.

 

Reclamações

Quanto maior o valor de reajuste da revisão tributária é melhor para a distribuidora, justamente por arcar com despesas operacionais e remunerar os investimentos feitos pela distribuidora.

 

A CEB fornece energia elétrica para todas as unidades consumidoras localizadas no Distrito Federal. E tem deixado a desejar, segundo a Aneel. Só em 2011 houve 442 reclamações registradas pelos usuários. Neste ano, até julho foram 337 ocorrências.

 

O assessor da Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição da Aneel, Hugo Lamim, explicou que os péssimos índices de qualidade da CEB influenciaram na decisão do reajuste. “A metodologia usada é justamente de avaliar se a distribuidora apresenta um bom desempenho em relação ao serviço prestado. Então, temos como base um indicador que mostra a duração (DEC) e a frequência (FEC) nas interrupções no fornecimento de energia”, conta.

 

A Aneel também compara as cidades com perfis parecidos em diferentes estados. Assim, se verifica também o nível de qualidade das empresas. “Por meio destes dados de interrupção de luz, fazemos quadros comparativos, por exemplo, entre a Asa Norte e outra cidade em Minas Gerais. Então, comparamos o serviço oferecido nestes dois locais. Se lá em Minas a situação é melhor, falamos para a do DF melhorar para tentar alcançá-la em termos de qualidade”, explica.

 

Também foram aprovados os novos limites para os indicadores de qualidade de energia da concessionária para o período de 2013 a 2016. Para a Duração Equivalente de Interrupção – que indica o número de horas, em média, que um consumidor fica sem energia elétrica durante um período, geralmente mensal – ficou estabelecido para 2013, um montante de 11,71 horas.  Já a Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora – indica quantas vezes, em média, houve interrupção na unidade consumidora – ficou estimada para o mesmo ano em um total de 11,21 interrupções.

 

No ano passado, o limite da duração imposto pela Aneel era de 12,92 horas. A CEB ultrapassou este limite, registrando um total de 15,68 horas. Quanto à frequência, em 2011, o valor considerado razoável  era de 13,79 e a companhia alcançou 13 interrupções. “Mas isso não significa que ficou dentro do padrão, porque este tempo de duração da interrupção pode ter sido muito elevado”, considera Lamim.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado