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Brasília

Réveillon: Para não acabar com a magia, segurança em primeiro lugar

Arquivo Geral

29/12/2017 7h00

Atualizada 28/12/2017 22h33

Roberto Batata, dono de loja no Núcleo Bandeirante, orienta os clientes. Foto: João Stangherlin

João Paulo Mariano
redacao@grupojbr.com

Para alguns são um incômodo. Para outros, parte imprescindível da festa. Seja qual for a opinião, os fogos de artifício protagonizam e iluminam boa parte das comemorações de fim de ano. Porém, é necessário cuidado na utilização, para não transformar o período de animação em uma temporada no hospital. Apesar de não haver dados fechados sobre o assunto, o Corpo de Bombeiros alerta que os casos de queimaduras aumentam neste período devido à falta de cuidados.

O major Lourival Correia, da comunicação do CBMDF, destaca que os problemas podem ser bem maiores que um simples machucado. Amputações de membros, em especial dedos, e incêndios podem ser provocados pela queima irresponsável de fogos. Além da inobservância das regras expostas pelos fabricantes, é comum a utilização após a ingestão de álcool.

“Fogo de artifício não combina com bebida. A pessoa fica com a atenção diminuída. É a hora em que os acidentes ocorrem”, lembra o major, que aponta outro problema grave: o manuseio por crianças e adolescentes. A prática é proibida, mas acontece com frequência e pode render queimaduras graves. Para os menores, existem tipos específicos que podem ser utilizados e não oferecem perigo. As embalagens devem conter informações quanto a idade e formas de uso.

Adequado à idade

João Guilherme, 9, sabe bem dessas instruções. Tanto que, todos os anos, ele e o avô, Irewano Mendes, 55, vão a uma loja especializada, no Núcleo Bandeirante, para comprar só aquilo que é permitido para a idade dele. O menino garante que obedece as instruções e que toma cuidado na hora de soltar as bombinhas, tipo track. “Gosto do barulho. Vou soltar tudo no Ano Novo”, diz João.

Assim como o neto, Irewano adquiriu o necessário para deixar a noite de réveillon mais animada. “Compro sempre. Solto em especial à meia- noite. É uma forma de comemorar”, afirma o aposentado, que assegura que toma o mesmo cuidado que desprende na compra de bombinhas para João Guilherme. Assim, ele nunca se acidentou, e sempre compra em locais de boa procedência.

Uma dessas lojas é a do Núcleo Bandeirante. Com 31 anos no mercado, Roberto Batata comemora o crescimento nas vendas desta época do ano. “O que mais sai são os fogos coloridos, além dos kits de três ou cinco minutos, que são prontos para soltar. Para festa, não tem crise”, comemora.

Os preços variam muito: começam com R$ 15 e podem chegar a mais de R$ 1 mil nos kits preparados. Batata afirma que sempre preza que os clientes peguem bons produtos e saiam com uma explicação de como utilizá-los.

Atenção com os pets

Se para os humanos os fogos fazem parte da diversão, para boa parte dos animais de estimação, o barulho não é nada agradável. O cãozinho Marley, de oito anos, não pode ouvir o primeiro estampido que já corre para os braços de Antônia Alves, 62. A secretária do lar diz que passa um aperto em todo o ano-novo. Ela já deixou de ir à casa de parentes para que Marley não fique sozinho. “Ele fica no meio das minhas pernas o tempo todo”, afirma. Apesar da possibilidade de recorrer a calmantes naturais, ela escolhe não utilizá-los: o aconchego seria o melhor remédio.

Marley, cão de Antônia, sempre se apavora com o barulho. Foto: João Stangherlin

Lívia Gobbi estuda o comportamento animal e concorda: “É muito importante o apoio. Se o cachorro quiser colo, que se dê o colo. Ele precisa se sentir em um ambiente tranquilo”. A especialista entende que a preparação para o pet se acostumar com os fogos começa cedo, ainda filhote. Uma dica é dar alguma comida que o bicho goste para haver um estímulo positivo.

O calmante fitoterápico não é contraindicado, mas deve ser utilizado com o auxílio profissional, já que as dosagens mudam. Envolver o cachorro em fitas pode não funcionar com todos. Se ele faz xixi, treme ou baba nesses momentos, é melhor levá-lo a um veterinário.

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