Dia 11
Noroeste continua quase na mesma
Pouca coisa mudou no bairro. Falta de estrutura é principal reclamação

Após um ano da chegada dos primeiros moradores ao Noroeste, as reclamações da falta de serviços e infraestrutura no bairro nobre são as mesmas. Apesar do número maior de prédios prontos, moradores se mudando e de comerciais construídos, a comunidade ainda depende do Plano Piloto para tudo e carece até de segurança e iluminação pública. Com os preços altos e promessas de bairro sustentável, investidores começam a se preocupar com o andamento das coisas.
Nessa época de chuva, a lama dos canteiros de obra toma conta dos condomínios. Na seca, o problema é a poeira. A única iluminação local vem dos poucos prédios que estão prontos, ainda não há postes de luz na rua. Também não existe linha de ônibus que passe pelo bairro e trabalhadores precisam atravessar o mato a pé todos os dias de manhã e à noite. O mato marca o espaço onde deveria ser o parque Burle Marx, que hoje abriga apenas moradores de rua e lixo.
Viviane Maria da Silva trabalha há seis meses como zeladora de um dos prédios habitados com aproximadamente 45 moradores. Ela mora em Santa Maria e desce do ônibus na W3 Norte para chegar ao prédio. “Eu desço pela igreja e venho por dentro da mata. Não tenho outra opção porque nunca vi um circular aqui dentro. Mas é perigoso, já tive uma amiga que foi assaltada lá vindo para o trabalho”, conta Viviane, que caminha pelo menos 30 minutos e faz questão de andar com um pequeno grupo de amigos por segurança.

“Não é o que eu imaginava”
Para os moradores, a situação também é crítica. Maria Alice, 65 anos, foi a primeira moradora a se mudar para o prédio Via Ibiza, em 30 de maio. Em 2009, quando a missionária comprou o apartamento, ela acreditou que seria um lugar belo e perfeito, mas hoje percebe que não é bem o que imaginava. “Em conforto não mudou nada. Continuamos sem comércio e sem energia nas ruas”, reconhece. A demora na entrega no parque também é um dos motivos que a deixam desapontada: “Gostaria que tivesse um lugar para que nós, idosos, pudéssemos nos exercitar ou pelo menos calçadas para caminharmos”.
Sem serviços
Os serviços de empresas como as de internet, telefonia e TV a cabo também demoraram para chegar ao bairro. No início os moradores não conseguiam nem comprar coisas pela internet porque o CEP local não era reconhecido. “No começo tive a maior dificuldade para transferir o meu telefone. Fiquei sem até o final de agosto e tive que trocar o meu número”, conta Maria Alice.
Outra questão que ainda não está totalmente resolvida é a coleta de lixo. Em janeiro, ela não existia, mas agora já é feita três vezes por semana, tempo considerado insuficiente pelos moradores.