“Como o Plano Piloto, o Cruzeiro vive o conceito de projeções. As habitações são todas áreas públicas e não propriedades do edifício, não podendo ser vedadas de forma alguma. Nunca tratamos a região de forma diferente, é uma briga antiga e a Justiça é lenta, mas agora, todas as edificações do Cruzeiro também terão de retirar as grades”, explica o superintendente do Iphan, Alfredo Gastal, sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou a retirada das grades dos prédios nas áreas tombadas.
Para os moradores do Cruzeiro, o medo é maior ainda. “Aqui roubam carros praticamente todos os dias. Quando não tinhamos grades, levavam bicicletas, mangueiras de incêndio. Ninguém tinha coragem de deixar os filhos descerem para brincar”, conta o morador do Bloco G da 1.409 do Cruzeiro, Pedro Sousa Nery, de 51 anos. “Não existe segurança pública. A Justiça devia se preocupar em garantir o fim da corrupção dos bandidos que usam o dinheiro nosso com outras coisas. Se tivesse segurança tudo bem tirar as grades, mas não tem.”