Mortos por covid-19 não terão velório
E funerais de pessoas que morreram por outras causas não durarão mais que duas horas e meia
A pandemia do novo coronávirus alterou também o protocolo de velórios em funerais no Distrito Federal. Com o risco de contaminação, novas medidas de segurança estão sendo tomadas também nas funerárias e cemitérios do DF. Os locais podem ser pontos de transmissão da doença, seja pelo contato e preparação dos falecidos ou pelas aglomerações de familiares e amigos em cortejos fúnebres, sepultamentos e cremações.

A Subsecretaria de Assuntos Funerários da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF (Suaf/Sejus) informou ao Jornal de Brasília que tem trabalhado juntamente com a Secretaria de Saúde, Vigilância Sanitária, Defesa Civil, infectologistas e patologistas da capital para a criação de um protocolo definitivo de procedimentos para os mais diferentes cenários após uma morte em decorrência da covid-19. Até o momento, dois documentos similares ao que está em elaboração já foram emitidos; este será o terceiro. A expectativa é que o protocolo seja publicado em Diário Oficial ainda nesta semana.
“Estamos agindo em prevenção. É possível que haja mortes no DF e estamos nos baseando em ações de países como Itália e Espanha, além do estado de São Paulo, que já registrou óbitos. Queremos fazer um encaminhamento que diminua os efeitos colaterais”, disse o subsecretário de assuntos funerários da Sejus, João Carlos Medeiros de Brito. “É um cenário novo para todo o mundo, literalmente. Estamos tentando criar uma consciência situacional para prever as circunstâncias e diminuir os riscos”, continuou.
Classificação de cadáveres
No segundo Protocolo de Manuseio de Cadáveres e Prevenção para Doenças Infecto Contagiosas de Notificação Compulsória, com Ênfase em covid-19, como foi denominado, a classificação de cadáveres foi separada em três grupos de risco. No primeiro reúnem-se “aqueles que apresentam risco à saúde pública e/ou profissional”, devido a alguma doença contagiosa, como o novo coronavírus. O segundo grupo foi definido para “aqueles que apresentam risco radiológico devido à presença de substâncias ou produtos radioativos”; e o terceiro destinado àqueles que não se encaixarem em nenhum dos dois anteriores.
As orientações para casos de mortos por contaminação pelo novo coronavírus são de encaminhamento direto do hospital para o sepultamento, sem a realização de velório. A Suaf/Sejus ainda está definindo as diretrizes específicas para o manejo de cadáveres de pessoas que morreram de covid-19, “mas o que é contemplado nas Diretrizes da Organização Mundial da Saúde publicadas em 2014 sobre Prevenção e controle de infecções respiratórias agudas pode ser aplicado”, prescreve um dos trechos do documento mais recente. Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) incluem gorro descartável, óculos de proteção ou protetor facial, máscaras cirúrgica ou tipo n95, avental impermeável e luvas descartáveis em necrotérios e funerárias.
Na Funerária Catedral, no Núcleo Bandeirante, a única medida não comum aos funcionários é o uso de capas para o manuseio de corpos; todas as outras recomendações eram realizadas. O gerente administrativo da empresa, Ledir Júnior, 44 anos, que há mais de 20 anos no mercado funerário, explica que os procedimentos de segurança são justificáveis para outras enfermidades além da covid-19.
“Já tínhamos esse padrão de atendimento. O GDF já cobrava de nós certos procedimentos ao que poderia acontecer. Até uma meningite é transmissível também, então só intensificamos um pouco mais o cuidado. […] Todos os funcionários são preparados e treinados em um padrão operacional”, declarou. Ele destaca que as outras empresas funerárias do DF procedem da mesma forma, assim como em outras três empresas funerárias que administra no DF e entorno.
À reportagem, a Campo da Esperança Serviços Ltda., proprietária da rede de seis cemitérios no DF, informa que, para evitar aglomerações nos funerais, “o tempo de duração está limitado para duas horas, além dos 30 minutos do cortejo”. Além disso, “serão permitidas até dez pessoas por vez” dentro das capelas, onde ocorre o velório. A organização fica a cargo da família. As providências são aplicadas desde o dia 17 de março.