A reportagem “Camponesas defendem modo de vida comunitário, produção sem agrotóxicos e resistência diante de dificuldades”, da Agência de Notícias CEUB em parceria com o Jornal de Brasília, escrita pelos estudantes Mayara Mendes e Mateus Péres, foi escolhida a melhor do Distrito Federal no Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ) 2026, na categoria Jornalismo Universitário.
A matéria apresenta relatos de camponesas de diferentes regiões do país para mostrar como o modo de vida comunitário, a produção sem agrotóxicos e a organização coletiva são utilizados como formas de resistência diante de desafios sociais, econômicos e ambientais.
O material jornalístico, editado pelo professor Luiz Claudio Ferreira, acompanha histórias de mulheres que vivem da agricultura familiar e da produção artesanal.
Entre elas, está a agricultora Valtenir Viana Barbosa, da comunidade quilombola Mata do Café, na área rural de Minaçu (GO), que leva para feiras produtos como queijo, requeijão, doces, pimentas e sementes produzidas pela própria comunidade.
A reportagem mostra como, para essas mulheres, a produção vai além da geração de renda. O trabalho coletivo representa também a preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações, a autonomia financeira e a manutenção de modos de vida tradicionais.
“Isso aqui tudo é da nossa produção lá do quilombo. A gente faz em família mesmo”, relata Valtenir, que aprendeu as técnicas de produção acompanhando familiares desde a infância.
Mulheres do campo
Entre as entrevistadas, está Itamarara Almeida, integrante da Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), que percorreu mais de 2 mil quilômetros desde Natal (RN) para participar do encontro.

Para ela, a produção das mulheres camponesas também representa a preservação de conhecimentos e formas de organização construídas ao longo das gerações.
“Historicamente, as mulheres camponesas produzem alimentos saudáveis, mas também produzem modos de vida”, afirma Itamarara.
A reportagem também aborda a rotina de trabalho dessas mulheres, que acumulam atividades relacionadas ao cultivo, cuidado dos animais, beneficiamento dos alimentos, comercialização e organização da produção.
Mudanças climáticas
Outro eixo abordado da reportagem é o impacto das mudanças climáticas sobre as comunidades rurais, especialmente na Amazônia.
No Acre, a agricultora e liderança do Movimento de Mulheres Camponesas Edina Belém, moradora de Bujari, relata como o calor intenso e a redução da disponibilidade de água já afetam diretamente a produção agrícola.
Em comunidades rurais, açudes secam mais rapidamente durante os períodos de estiagem, enquanto algumas famílias precisam recorrer a caminhões-pipa para garantir o abastecimento. A dificuldade de acesso à água também compromete atividades agrícolas e o beneficiamento de alimentos.
As alterações climáticas também provocam perdas na produção. Culturas mais sensíveis ao calor, como a alface, enfrentam dificuldades durante a estiagem, levando agricultoras a adaptar estruturas de cultivo e buscar alternativas mais resistentes às altas temperaturas.
Diante das perdas, as camponesas também passaram a investir no beneficiamento de frutas e outros alimentos. Polpas, doces, geleias e outros produtos ajudam a agregar valor à produção e ampliar as possibilidades de renda das famílias.
Próximas etapas
Com a vitória na etapa distrital, a reportagem segue agora para a etapa regional do Prêmio Sebrae de Jornalismo 2026. Os trabalhos mais bem avaliados nessa fase avançam para a etapa nacional.
A premiação reconhece trabalhos jornalísticos que abordam o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico e social, valorizando diferentes formatos e categorias de produção jornalística.
Para os estudantes Mayara Mendes e Mateus Péres, a reportagem também representa o resultado de uma experiência de apuração voltada à escuta de mulheres de diferentes regiões do país e à valorização das histórias produzidas a partir dos territórios.
Terceira vitória seguida
Esta é a terceira vez consecutiva que a Agência de Notícias CEUB conquista o primeiro lugar na categoria Jornalismo Universitário do Prêmio Sebrae de Jornalismo.
Na edição anterior, a reportagem “Famílias de comunidade quilombola em GO enlaçam geração de renda e proteção ao cerrado com produção de marmelada”, escrita pela então estudante Milena Dias, foi escolhida a melhor do Distrito Federal na categoria.
Em 2024, a reportagem “Cooperativa de reciclagem busca ressocializar detentos e gerar renda na periferia do DF”, produzida para o projeto de extensão Agência de Notícias Ceub, e assinada pelas universitárias Milena Dias e Nathália Maciel, conquistou também o 1º lugar do Prêmio Sebrae na etapa estadual.