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Brasília

Renda média do trabalho no DF é mais que o dobro da registrada em 14 estados

Em 2024, a renda do trabalho no Distrito Federal era mais que o dobro da média encontrada em dez estados

Redação Jornal de Brasília

09/05/2026 10h08

imposto de renda ir

Foto: Arte/Agência Brasil

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A renda média do trabalho no Distrito Federal foi de R$ 6.320 por mês em 2025, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com o resultado, o indicador local manteve o maior patamar do país.

O rendimento do Distrito Federal é mais que o dobro do registrado em 14 estados -todos no Nordeste e no Norte.

Essa lista inclui Maranhão, Bahia, Ceará, Pará, Alagoas, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Amazonas, Acre, Sergipe, Rio Grande do Norte, Amapá e Tocantins.

Em 2024, a renda do trabalho no Distrito Federal era mais que o dobro da média encontrada em dez estados.

As informações são de um módulo da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) divulgado nesta sexta-feira (8) pelo IBGE.

O indicador analisado é a renda real habitualmente recebida em todos os trabalhos. Isso inclui atividades formais e informais nos setores público e privado.

No ano passado, o rendimento do trabalho no DF (R$ 6.320) foi 77,5% maior do que a média do Brasil (R$ 3.560). Essa diferença estava em 57,1% em 2024.

Segundo analistas, a concentração de servidores da elite do funcionalismo em Brasília puxa historicamente a média do Distrito Federal para cima.

Esse efeito colateral também aparece na Pnad. Conforme a pesquisa, o Distrito Federal tem a maior desigualdade de renda medida pelo índice de Gini no país. Ou seja, é onde existe uma diferença maior entre os ganhos dos mais ricos e dos mais pobres.

O Gini varia de 0 (igualdade máxima) a 1 (desigualdade máxima). Quanto maior for o número, mais elevada é a concentração de renda.

Nos cálculos do IBGE, o Gini de todos os trabalhos foi de 0,557 no Distrito Federal no ano passado. É um patamar 13,4% maior do que o observado no Brasil (0,491).

O indicador também fica 37,2% acima do verificado em Santa Catarina (0,406), que tem a menor desigualdade nos ganhos do trabalho.

“A estrutura ocupacional do Distrito Federal gera um cenário em que a renda média é alta, porque o setor público de elite paga muito bem, mas ao mesmo tempo a desigualdade é muito alta também”, diz o pesquisador André Salata, coordenador do laboratório de estudos PUCRS Data Social.

“Tem um desequilíbrio entre setor público de elite e massa de trabalhadores de serviços pouco qualificados, pouco especializados”, acrescenta.

O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating, afirma que a renda média maior não significa que o Distrito Federal seja uma “ilha de desenvolvimento produtivo”.

Ele também associa o quadro a “distorções” geradas por parte do alto escalão do funcionalismo.

“Quando você olha para dentro do Distrito Federal, tem uma desigualdade muito grande.”

Além do impacto da elite do setor público, há funções que costumam pagar mais para servidores federais do que para empregados na iniciativa privada, segundo o economista Daniel Duque, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

“A gente não costuma ver no setor privado, por exemplo, uma pessoa como auxiliar administrativa ganhando R$ 5.000, R$ 6.000. São salários normais no funcionalismo federal, mas não encontram par no setor privado”, afirma Duque.

RENDA MÉDIA DO EMPREGADO PÚBLICO ALCANÇA R$ 12,6 MIL NO DF

Outra versão da Pnad Contínua, com recorte trimestral, permite analisar as categorias de trabalho nas unidades da Federação. A edição mais recente foi divulgada em fevereiro pelo IBGE.

Segundo essa pesquisa, os empregados no setor público tinham renda média do trabalho de quase R$ 12,6 mil por mês no Distrito Federal no quarto trimestre de 2025. Trata-se do maior patamar das unidades da Federação.

No Brasil, o rendimento médio do trabalho dos empregados no setor público foi estimado em R$ 5.339 no mesmo período. Ou seja, é menos da metade da quantia encontrada no Distrito Federal.

A Pnad abrange três grupos dentro do setor público: empregados com carteira assinada, empregados sem carteira e, em conjunto, militares e estatutários.

No Distrito Federal, a renda média dos militares e estatutários chegava a R$ 13,4 mil por mês no quarto trimestre de 2025. O valor é mais que o dobro do registrado no Brasil (R$ 6.397).

Essa diferença também aparece entre os empregados com carteira no setor público (R$ 12,1 mil no DF e R$ 4.926 no país) e os servidores sem carteira (R$ 7.355 no DF e R$ 3.018 no país). Os números da Pnad agrupam dados das três esferas do funcionalismo (federal, estadual e municipal).

No setor privado, a renda média dos empregados com ou sem carteira no Distrito Federal foi estimada em R$ 3.716 no quarto trimestre do ano passado. O valor superou a média nacional (R$ 3.088), mas ficou atrás do rendimento de São Paulo (R$ 3.883).

O quadro é semelhante quando a análise se concentra apenas nos empregados com carteira no setor privado. Nesse caso, a renda média foi de R$ 3.724 no Distrito Federal. O valor ficou acima do patamar do Brasil (R$ 3.263) e atrás do verificado em São Paulo (R$ 3.898).

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