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Brasília

Relatos reforçam insegurança dos brasilienses

Arquivo Geral

14/10/2015 6h10

Eric Zambon

eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

Metade  da população do DF se sente menos segura em relação ao ano passado, e mais da metade já foi vítima de crime na cidade. A constatação é do Instituto Exata OP, que, em pesquisa divulgada ontem pelo JBr., ainda revelou o culpado pelo sentimento crescente de insegurança, de acordo com 58,3% dos entrevistados: leis brandas que permitem impunidade. Segundo especialistas, vários fatores combinados faz  os cidadãos terem essa percepção.

A pensionista Odete Chinchilla, 84 anos, afirma viver em Brasília desde 1967. Segunda ela, “nunca a situação foi tão preocupante”. “Outro dia, fui com uma amiga ao Setor Bancário Norte, e um rapaz nos abordou para perguntar alguma coisa. Na hora, eu já fiquei nervosa. Esses tempos fazem a gente ficar desconfiada de tudo”, desabafa a idosa, moradora da 312 Norte.

Ainda segundo a pesquisa do Exata, quase 20% dos entrevistados atribuíram a sensação de insegurança à falta de policiamento nas ruas, e outros 16% relacionaram o problema à má qualificação dos agentes. Outros 2,2% consideraram a iluminação pública precária como fator determinante.

Desconfiada

Junto à vizinha Raimunda de Almeida Nascimento, servidora pública de 45 anos, dona Odete costuma passear em lojas e exposições, mas apenas de dia. “Não tenho mais coragem de sair à noite”, admite a pensionista. Já sua colega afirma não ter outra escolha, pois estuda no período noturno. “Mesmo com porteiros e câmera de segurança no nosso prédio, não me sinto segura de chegar em casa de carro muito tarde”, reforça a amiga.

Odete diz se lembrar de quando “tudo era calminho na quadra” e ela não escutava sobre crimes. Para ela, a culpa é da falta de policiais circulando na região, especialmente depois que o posto próximo ao seu lar foi desativado. Raimunda, por sua vez, engrossa as estatísticas dos que atribuem a situação a leis brandas. “A polícia prende hoje, e a Justiça solta amanhã”, critica.

Pais têm medo de levar filhos ao parquinho

A administradora Luana Francisca de Jesus, 33, mora na Asa Sul há 11 anos e afirma ter medo de descer com os filhos, de sete e dez anos, para o parquinho da quadra. “Um dia, um mendigo nos cumprimentou e depois, lá na frente, puxou a faca e brigou com outro”.

Apesar de alegar nunca ter sofrido diretamente  violência e não se lembrar de algum conhecido vitimado, ela garante se sentir menos protegida em relação ao passado. “Aqui na quadra, dá 22h e alguém solta um rojão. Deve ser avisando que as drogas chegaram. É muito morador de rua e muito traficante”, reclama. Para Luana, é preciso haver uma “reformulação total das leis”, pois o sistema atual é inadequado e não comporta a quantidade de presos.

Também habitante da Asa Sul, Luis Gustavo Ferreira, analista de sistemas de 36 anos, brincava com o filho no parquinho de sua quadra quando foi abordado pela reportagem. Segundo ele, nunca encontraríamos sua esposa fazendo o mesmo. “Quando ela descia, os moradores de rua vinham pedir coisas e se aproximavam. Comigo nunca aconteceu, então acho que eles se sentem intimidados quando veem homens”, acredita. Para ele, o maior problema é o tráfico de drogas e a quantidade de moradores de rua. “A gente não tem como saber quem é pacífico e quem não é”, conclui.

Ponto de vista

“O problema no Brasil não é a falta de leis. O problema é a aplicação delas”, sentencia o especialista em segurança pública  Nelson Gonçalves. Para ele, as alegações de percepção de insegurança estão atreladas ao boca a boca e à atuação do Estado, incapaz de resolver a maioria dos crimes e, principalmente, de preveni-los. “Tudo isso, somado a uma massificação do quadro de violência por parte da mídia, contribui para a existência dessa sensação”, argumenta.

Saiba mais

Ontem, o JBr. divulgou que, de acordo com a pesquisa do Instituto Exata OP, pelo menos 53% da população já teria sido assaltada no DF, e 88% dos habitantes conhecem alguém que tenha sido vítima.

A conclusão diz: “As avaliações mostram que metade da população se considera menos segura do que no ano passado. Essa sensação é crescente de acordo com a faixa etária. Os que se sentem menos seguros estão na faixa superior a 60 anos. Quanto à classe social, o pico dos que se consideram mais seguros está na classe B+, em especial moradores das asas Sul e Norte.”

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