A folha de pagamento da Universidade de Brasília foi homologada na tarde de quinta-feira, 22 de abril. Durante todo o dia, houve intensa negociação entre a Reitoria e os ministérios da Educação e do Planejamento. Os professores receberão a URP integral de abril – 26,05% sobre o total da remuneração – mais os valores atrasados de março.
Já os funcionários técnico-administrativos ficaram divididos em duas categorias: os contratados antes de outubro de 2008 e os que ingressaram depois dessa data. Este último grupo, cerca de 500 pessoas, não vai receber URP. Os mais antigos não receberão a parcela que incide sobre as gratificações, como o Incentivo à Qualificação. O corte feito pelo Ministério do Planejamento atinge inclusive os servidores aposentados.
A folha de pagamento fechou com atraso. As últimas instruções do Planejamento sobre como incluir a URP dos professores chegaram à UnB no fim da tarde de terça-feira, véspera de feriado. Na manhã de quinta-feira, o prédio da Reitoria estava bloqueado por um piquete do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub). Em assembleia, os funcionários decidiram não permitir o acesso da equipe da Secretaria de Recursos Humanos da UnB (SRH) ao prédio. A intenção era impedir que a folha fosse rodada, para evitar os cortes impostos aos servidores técnico-administrativos.
O reitor José Geraldo de Sousa Junior determinou à SRH que o salário fosse pago de qualquer forma. Na manhã de quinta, ele conversou diversas vezes com o secretário nacional de Recursos Humanos do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, com a secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari, e com o secretário-executivo do MEC, José Henrique Paim.
“Meu dever como gestor é mover todos os meios para garantir que o salário seja pago”, disse o reitor. Ele pediu que o Ministério do Planejamento fosse ao MEC acompanhar o processo, de forma a não se perder o prazo, que se encerrava às 14h de quinta-feira. Antes do salário ser pago, a folha precisa ser examinada primeiro pelo MEC e depois homologada pelo MPOG, com toda a descrição dos cálculos ali contidos. “Em função das circustâncias, foi preciso tomar todas essas medidas em tempo extraordinário, além de manter o sistema aberto para modificações”, afirmou José Geraldo.
O sistema não permitiu mudanças no pagamento da URP dos funcionários técnicos. Em reunião com os sindicatos, o secretário Duvanier Paiva disse que, caso o TRF decida pelo pagamento da URP na segunda-feira, será feita uma folha suplementar.