Preservar o meio ambiente e produzir energia, com a fabricação de biocombustível, estão entre as principais razões que levaram o governador Rogério Rosso a assinar o decreto que institui o programa Recóleo, de tratamento e reciclagem de óleos e gorduras vegetais ou animais. Foi na manhã desta sexta-feira (28), na Residência Oficial de Águas Claras.
O projeto, de responsabilidade socioambiental transforma o que seria lixo em renda para famílias e ajuda a aumentar a qualidade do meio ambiente. O reaproveitamento do óleo de cozinha, a partir de sua coleta nas residências e empresas, quer reduzir a poluição nos esgotos e, em conseqüência, os custos de tratamentos dos efluentes. Para o governador Rogério Rosso a medida envolve questões ambientais, sociais e econômicas, daí a sua importância. “O projeto mostra a preocupação que temos com as futuras gerações e com a qualidade de vida no DF”, afirmou.
Fernando Leite, presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) ressaltou que a coleta do óleo de cozinha é uma atitude necessária e cidadã que promove geração de renda inclusão social. “É a união da preservação do meio ambiente com a necessidade da comunidade mais carente da sociedade”, detalhou. A Caesb será responsável pela coordenação executiva do programa, pelo gerenciamento das ações e deverá ainda editar normas específicas para estimular, organizar e viabilizar as ações relativas à recuperação de óleo usado e ao tratamento especial desse resíduo.
Subprodutos do óleo geram renda
O programa Recóleo está associado ao Projeto Biguá-Biodiesel, que no Varjão, usa a matéria-prima na fabricação de sabão e irá produzir biocombustível a partir do óleo de cozinha usado. A ideia é fruto de uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa – Agroenergia), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater –DF) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), que angariou recursos do financiamento não-reembolsável da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no valor de R$ 2,5 milhões. A quantia será usada para a construção da usina que irá produzir o biodiesel. A capacidade de produção da unidade deve chegar a cinco mil litros por dia. “A primeira parcela de R$ 1 milhão, para a construção da usina, será liberada em julho”, lembrou Fernando Leite.
Adesão ao programa
As secretarias, fundações, empresas públicas e administrações regionais deverão aderir ao programa, incentivando a doação de óleo de cozinha usado. O incentivo à população poderá ser associado ao valor faturado em suas contas de água e esgoto, na forma de desconto. A Caesb poderá explorar economicamente, em conjunto com a iniciativa privada, a coleta, a estocagem, o processamento e a comercialização do óleo recolhido.
Os tonéis da Caesb para coleta de óleos usados serão distribuídos em pontos de recolhimento nas regiões administrativas do Distrito Federal, sinalizados e disponíveis à população. Os recipientes são recolhidos e levados aos núcleos fabricantes do sabão. Uma família gera aproximadamente 1,5 litros de óleo de cozinha por mês.
Redução da poluição nos rios
Um litro de óleo despejado no meio ambiente polui um milhão de litros de água. No Distrito Federal são usados cerca de 24 milhões de litros de óleo por ano. Admitindo-se que nos processos de fritura haja uma perda de 50%, o volume final descartável é de 12 milhões de litros por ano, que representa uma poluição potencial de 240 trilhões de litros de água, ou seja, um volume igual ao de 428 lagos, como o Lago Paranoá. O óleo de cozinha jogado na pia ou no ralo também causa entupimento das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).