Nem os solos mais férteis do Planalto Central conseguem resistir às baixas umidades do seco agosto. A cor vermelha do solo brasiliense foi substituída pela vermelhidão do fogo. Pele seca e problemas respiratórios são comuns nesta época. O mês de agosto é um desafio a todos os brasilienses que tentam sair imunes ao clima desértico.
Nesta época do ano, a secura incomoda os moradores, sobretudo porque se soma às queimadas, prática que se torna comum neste período. Isso porque rapidamente o ambiente é tomado pela poeira, que sobe e se instala nas nuvens, e as ondas de calor, que agravam a sensação de secura.
Apesar das altas temperaturas e da baixa umidade, segundo a Defesa Civil do Distrito Federal, um dos fatores que mais influenciam na intensificação das queimadas ainda é o homem. O Corpo de Bombeiros alerta que, durante a época da seca, qualquer queimada que for feita, destinado ao setor agrônomo, deve ser avisada previamente, para que tenha o devido acompanhamento. Ainda que o clima esteja com alta umidade, os ventos gerados são capazes de criar chamas e arrastar o fogo. Com o solo sensível, a instalação de novas queimadas se torna rápida e de difícil controle.
O metereólogo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Manoel Rangel, informa que, mesmo com o processo causado pelo homem, os fatores climáticos influenciam na formação de queimadas. Segundo ele, isto acontece de forma gradual. No primeiro mês do inverno, ocorre uma queda de temperatura. Ao segundo mês, as nuvens vão glaciando até que, no terceiro mês, formam as massas polares frias e secas. Essa massa inibe a luz e causa a secura. Assim, a temperatura baixa na noite e aumenta durante o dia. “As nuvens sustentam o calor. O lado bom disso é que não se vê nuvem de noite e o clima pode ficar melhor’, diz o metereólogo. Ele afirma que não há o controle nem previsão de médias de umidades relativas do ar, por serem flutuantes, diferentemente da temperatura, que pode ser prevista.
Apesar das queimadas geradas durante a época de seca, o metereólogo alerta: “não se pode dizer que está mais seco por conta das queimadas. As queimadas não geram secura. Ela pode agravar a situação por conta da poeira e fumaça. Mas ela não é causadora de clima”. Rangel diz que a poeira que sobe e se instala nas nuvens é a responsável pelo agravamento de doenças relacionadas a respiração. “Elas formam nuvens parecidas com as de chuva e nós respiramos esse pó espalhado pelas queimadas”, completa.
Cuidados com a seca
Rangel explica que na primeira quinzena de agosto a umidade do ar varia entre 20% e 30%, o qual é denominado período de estado de atenção. A partir dos primeiros quinze dias, quando a umidade é menor que 20% – por conta de um pico de temperatura que faz com que ela caia – é o período de estado de alerta.
A Defesa Civil do DF informou a população sobre o estado de alerta e diz ser essencial para a prevenção de doenças respiratórias beber muita água. Além disso, fazer refeições leves com frutas e verduras, evitar o uso de aparelhos de ar-condicionados. Além de trajar roupas adequadas e evitar longos banhos de água quente.
Previsão do fim
Nos primeiros quinze dias do mês de setembro, há a possibilidade de pancadas de chuvas isoladas, mas isso não significa o fim do período da seca. Os fatores climáticos continuam até o mês de outubro. Com essas pequenas chuvas afastadas a expectativa é a redução das queimadas. A Defesa Civil do DF informou ainda que a tendência é que a seca e as altas temperaturas se agravem a cada ano.