“O único inocente no mundo é Deus”. A frase foi dita por José Ricardo dos Santos Ângelo, 38 anos, suspeito de integrar uma quadrilha que roubava malas e aparalhos eletrônicos no Aeroporto Internacional Juscelino Kubsticheck presa no último domingo (12). No interior da aeronave, José e os comparsas, Igor Busine Sampaio, de 32 anos, e Everaldo Lima Santos, de 35 anos, também faziam o limpa – bagagens e equipamentos eletrônicos dos viajantes eram furtados. No momento em que foram presos, eles tentavam embarcar com um mala com 37 aparelhos celulares de última geração.
A quadrilha, formada por oito homens com faixa etária entre 30 e 40 anos, também era especializada em clonar cartões de crédito para comprar passagens aéreas. O destino sempre o mesmo: Salvador, na Bahia. Já no aeroporto, os suspeitos agiam rapidamente furtando bagagens. Nas esteiras rolantes, malas eram trocadas por outras idênticas, mas repletas de papel. Com a pressa em realizar as trocas e roubar os objetos, eles deixaram rastros.
Ação
Em 20 de setembro, os três integrantes começaram a ser investigados quando saíram para mais uma missão em Brasília. O trio se hospedou no Hotel Comfort, próximo ao Brasília Shopping, onde ficaram até domingo (12). Foram embora sem pagar a estadia e deixaram para trás uma mala cheia de acessórios femininos. Distraídos, quando se hospedavam davam seus nomes verdadeiros no cadastro. Com nomes em mãos, o hotel registrou um Boletim de Ocorrência.
De acordo com o delegado-chefe da 10ª Delegacia de Polícia, no Lago Sul, Miguel Lucena, a quadrilha passou a ser investigada quando cresceram os números de Boletins de Ocorrência de furto em aeroportos coincidentemente nos dias em que os integrantes viajavam. “Cerca de 20 ocorrências por furto de bagagens e clonagem de cartões para compras de passagens aéreas, principalmente da empresa Gol, foram registradas nos dias em que os integrantes estavam em ponte aérea”, explicou Lucena. Juntando as informações, a Polícia Civil, com a colaboração do delegado chefe da Alfandega do Aeroporto JK, Ângelo Diniz, acionaram as companhias aéreas, que ficaram responsáveis por dizer quando os suspeitos tentassem embarcar de volta para Salvador.
Em depoimento, José Ricardo, um dos itegrantes da quadrilha, afirmou não conhecer os outros dois envolvidos e alegou que realizava um trabalho como marceneiro em Taguatinga. “Nós estávamos sentados esperando o embarque quando a polícia chegou com voz de prisão”, contou. Já Igor, disse que veio para Brasília na companhia de Everaldo para fazer compras na Feira dos Goiânos e revender em Salvador. Ambos alegam ser inocentes.
Os homens devem responder por formação de quadrilha e estelionato. As investigações ainda estão em andamento e só serão concluída quando os cinco integrantes, que ainda estão foragidos forem localizados. “Fica o recado de que não há crime perfeito”, concluiu o delegado Miguel Lucena, que conta com a ajuda da Polícia Civil de Salvador para obter êxito na conclusão do caso.