Rafaella Panceri
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Oito pessoas foram presas nesta quarta-feira (6), acusadas de integrar uma organização criminosa responsável por roubos e furtos em estabelecimentos comerciais no Distrito Federal e Região Metropolitana, nos estados de Tocantins, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Sergipe. A quadrilha era especializada na subtração de aparelhos de telefonia e acessórios e chegou a assaltar diversos shoppings e lojas do DF. Em cada roubo, o grupo lucrava cerca de R$ 100 mil. A Polícia Civil do DF estima que o prejuízo dos comerciantes nos últimos sete meses tenha chegado a R$ 4 milhões.
A Operação Edge começou após um crescimento exponencial dos crimes cometidos em estabelecimentos comerciais do DF nos últimos três anos. Em 2016, houve dois delitos desse tipo registrados. Já em 2017, a Secretaria de Segurança Pública contabilizou 21. Até maio 2018, havia 11 casos. Em junho, porém, a estatística zerou e se manteve até o mês de agosto.
Ao longo de sete meses de investigação, a PCDF prendeu 15 pessoas em flagrante. Sete eram membros de uma organização criminosa de abrangência nacional e duas já tinham mandado de prisão em aberto. Outras sete já são detentas no sistema prisional do DF. Todos respondem pelo crime de organização criminosa e, individualmente, por 39 crimes diferentes, entre roubos e furtos qualificados, associação criminosa, tráfico de drogas e homicídio. Dois dos envolvidos morreram em confronto com a Polícia Militar de Goiás no período.
Atuação da quadrilha
Para identificar o esquema, a polícia começou pelos roubos feitos em estabelecimentos da região central de Brasília, que chamaram a atenção. “No Brasília Shopping, Conjunto Nacional, Pátio Brasil, DF Plaza, Vitrine Shopping, Gilberto Salomão e Taguatinga Shopping”, cita o delegado da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos da PCDF, Ronney Matsui. Houve, ainda, uma tentativa de furto no Deck Norte.
“Eram ações audaciosas, em lugares com grande fluxo de pessoas, com segurança privada e circuito de câmeras. Entravam, muitas vezes, um minuto antes de a loja fechar. Um dos integrantes perguntava algo sobre algum produto e outro rendia os funcionários com uma arma de fogo e os colocava em algum compartimento da loja, amarrados. Levavam os produtos tranquilamente e entregavam para um receptador”, ilustra Matsui.
A investigação culminou na prisão preventiva de um deles: Wisllan Borges Sales, de 33 anos de idade. Dono de dois lava a jatos no DF e investigado pelo crime de lavagem de capitais no DF, ele teria encomendado o furto de dezenas de celulares em Sergipe. Na casa dele, a polícia apreendeu 83 cabos de aparelhos de telefonia e 29 carregadores de celular.
“Infelizmente nenhum aparelho foi recolhido, mas as evidências mostram que o crime de receptação era cometido de forma corriqueira. Os produtos estavam no sofá de casa”, narra o delegado. Além de receptador, o homem era patrocinador do esquema. “E inclusive encomendava produtos que seriam subtraídos”, complementa.
Ligação com o PCC
As investigações da Operação Edge continuam para elucidar os 39 crimes praticados pelos integrantes e associados à quadrilha. Alguns dos envolvidos têm vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o organização criminosa fundada em São Paulo, e estão envolvidos em furtos a agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafo em Alexânia e Santo Antônio do Descoberto (GO).
Para a PCDF, a tendência é que os criminosos migrem para a região metropolitana e outros estados para cometer crimes cada vez mais variados. “Aqui no DF, as estatísticas mostram que eles se sentem em perigo”, diz Matsui.