Os juízes da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (VEP-TJDF) que determinaram a progressão da pena do pedreiro Adimar Jesus da Silva, assassino confesso dos seis adolescentes de Luziânia, foram alertados do perigo que o homem representava à sociedade.
Em janeiro deste ano, logo após receber o processo de Adimar na Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas (Vepema), a promotora Maria José Miranda Pereira escreveu à mão um recado para o juiz requerendo fiscalização sistemática e reiterada para o condenado, considerando a gravidade dos crimes cometidos por ele e que não existe ex-estuprador. Adimar havia sido condenado por abuso sexual contra dois menores, de 11 e 13 anos, em 2005.
“O processo só chegou para mim quando ele já estava na rua e tudo que pude fazer foi alertar à Justiça para que o fiscalizasse de perto, a única medida que poderia salvar a dignidade sexual e a integridade física de outras crianças. Mas foi tarde”, explica a promotora. E Maria José não foi a única.
O laudo de exame criminológico de maio de 2008, no entanto, já alertava para a necessidade de um tratamento urgente para Adimar. “Entre suas características de destaque, citamos conflitos sérios que favorecem à prática de delitos sexuais. Há sinais inclusive de sadismo”, afirma o documento.
Os psicólogos responsáveis pela elaboração do exame reforçam também o pedido do Ministério Público de acompanhamento do homem, que durante o tempo preso foi poucas vezes ao psiquiatra. “Ocorre que não há notícia do início desse tratamento, motivo pelo qual nos juntamos ao coro, (…) pelo fato de que transtornos sérios na sexualidade não desaparecem com o simples passar do tempo, ao contrário, tendem a cronificar-se frente a ausência de tratamento”. Como previam os psicólogos, Adimar repetiu a violência não uma, mas seis vezes.
O crime que o levou à prisão pela primeira vez, ocorreu em 2 de novembro de 2005, na Colônia Agrícola Veredão, em Águas Claras. Ele foi preso em flagrante após atentado violento ao pudor contra dois meninos, um de 11 anos e outro de 13 anos.
As crianças foram encontradas pelo pedreiro em ruas do Núcleo Bandeirante. Foram convidadas a ajudá-lo em uma mudança, recebendo R$ 50 pelo serviço. Em casa, foram ameaçadas e submetidas a todo tipo de violência sexual. Adimar Jesus foi preso em flagrante por policiais após o primeiro garoto conseguir sair, prometendo levar um colega, e denunciá-lo. Ele foi condenado, primeiramente, a 15 anos de prisão.
O assassino de Luziânia foi amparado pela Defensoria Pública, que conseguiu, em 2006, a redução da pena para dez anos e dez meses de reclusão. No entanto, após cumprir um sexto da pena em regime fechado, ele consegui a progressão para regime semiaberto e, um tempo depois, para regime aberto.
Além da dor física que suportou no momento do crime, o menino de 11 anos, afastou-se da escola por vergonha, após os colegas ficarem sabendo do ocorrido, foi hospitalizado e submeteu-se inclusive a tratamento médico com coquetel de remédios contra possíveis contágios venéreos.
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