Amanda Karolyne
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Batizado inicialmente de Cidade Livre, o Núcleo Bandeirante tinha esse nome porque nasceu sem a cobrança impostos, para que o comércio de Brasília se estabelecesse por ali. Hoje, sem as benesses dos anos 1960, a atividade segue firme e a intenção é fortalecê-la. Para isso, começou o projeto Gentileza no Comércio: um curso para o empreendedor que quer aprimorar o atendimento. As inscrições começam hoje e vão até 1º de agosto.
Ao planejar a ação, a administração regional mapeou 445 estabelecimentos. “Nas visitas, vimos que o comerciante tem vontade de capacitar os funcionários para uma boa abordagem ao cliente e fomos idealizando o projeto”, destaca o administrador Roosevelt Vilela.
O curso terá a duração total de 12 horas/aula, com temas como tipo de cliente, importância da gentileza, trabalho em equipe, história do comércio e como lidar com as diferenças culturais. Serão duas modalidades: uma no auditório Garcia Neto (em frente à administração) e outra dentro das próprias empresas cujo número de funcionários é maior. E nada disso terá custo para o empresário.
A iniciativa é uma parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae- DF) e a expectativa é de que o programa seja aplicado também no Park Way e Candangolândia.

Foto: Ariadne Marçal
O administrador frisa a importância desses temas e de saber lidar com o cliente nos mínimos detalhes: “Quem nunca ouviu uma história de alguém que chegou em uma loja com uma roupa muito humilde, o vendedor não tratou bem e aquela pessoa deixou de fazer uma grande compra?”, reflete.
Vilela observa ainda que, em tempos de crise, a simpatia do funcionário é essencial para a venda. E alerta para a grande concorrência nos dias de hoje, em que as lojas físicas competem com o e-commerce, favorecido por custos menores.
A coordenadora da ação, Dayanne Timóteo, explica que a visão que se deve ter da atividade comercial vai além do aspecto econômico. “A maior atividade é de integração entre as pessoas, e mais do que isso, de estabelecer relações humanas”, cita. “ Quando o vendedor oferece um produto, não é só aquilo: às vezes ele está vendendo o sonho”, completa. O curso, portanto, busca humanizar o varejo, diz Dayanne.
Aprendizado
Maria Tereza de Souza, 63 anos, é dona de uma perfumaria em uma feira no Núcleo Bandeirante. Ela sempre está em busca de aprender coisas novas e fazer cursos. “Acho importante sempre melhorar o atendimento, até porque o cliente é nosso patrão”, constata.
Para ela, se não tem atendimento 100%, não tem venda. “Só estou aqui hoje por acreditar que atendimento é a porta de entrada, é fundamental”, garante. Ela acredita que na loja dela nenhum cliente seja maltratado, devido a todos os cursos que sempre faz.
Maria está no ramo há 40 anos e conta que todo dia aprende algo com os clientes. “Nunca sabemos tudo, uma palavra diferente já muda a visão de como temos de lidar com o comércio”, conclui.
Cordialidade
Dono da oficina Getsemani, Willian Rodrigues Cavalcanti, 32, se interessou pelo projeto por ser uma “inovação necessária”. Para ele, é o momento certo para aprimorar os negócios. “Acho que vai aumentar o movimento em 30%. O mercado como um todo está precisando aprender e se movimentar”, diz.
Ele comenta que enfrenta muitas dificuldades, principalmente na relação com o cliente. “O consumidor nem sempre entende o que quer e vem aqui. Ele se confunde e te confunde”, comenta.
Willian considera excelente a ideia de um curso para saber lidar com as pessoas no comércio, e acredita que tanto ele quantos os funcionários vão ser conscientizados sobre educação e paciência no trato com o cliente – além de ajudar na elaboração de uma estratégia de atendimento. “Tudo precisa de preparo”, comenta.
A oficina tem 20 anos – 12 deles sob o comando de Willian, que assumiu no lugar do pai. Para o empreendedor, aprender coisas novas é sempre bom. “Nunca podemos falar que já sabemos tudo, ainda mais em um meio em que tudo está sendo inovado”, pondera. Ele observa ainda que com os consumidores também vêm muito aprendizado.