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Brasília

Projeto Nave eleva aprovações em universidades públicas no CEM 03 de Taguatinga

O Núcleo de Apoio aos Vestibulandos alcançou 100 aprovações em 2026, transformando o acesso ao ensino superior para estudantes de escola pública.

Redação Jornal de Brasília

14/02/2026 15h39

Foto: Tony Oliveira/ Agência Brasília

Foto: Tony Oliveira/ Agência Brasília

Até 2023, o Centro de Ensino Médio 03 de Taguatinga registrava uma média de cerca de 20 alunos aprovados por ano em universidades públicas. Com a implantação do Núcleo de Apoio aos Vestibulandos (Nave) em junho daquele ano, os resultados cresceram expressivamente. Em 2024, o número de aprovações ultrapassou 100, com cerca de 80 alunos obtendo múltiplas aprovações. Ao fim de 2025, o total chegou a aproximadamente 150. Em 2026, a escola já contabiliza 100 aprovações, com expectativa de novos resultados positivos ao longo do ano.

O Nave, um projeto multidisciplinar de preparação para vestibulares, conta com espaço próprio na unidade escolar e acompanha os estudantes desde o início do ensino médio. Envolve professores de diferentes áreas, com foco nas matrizes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Programa de Avaliação Seriada (PAS). As ações incluem mentorias individuais, empréstimo de material didático, grupos de estudo no contraturno, simulados, palestras, orientação para escolha de cursos, aulões e visitas guiadas a universidades públicas.

A idealizadora e coordenadora do projeto, professora Regina Cotrim, enfatiza o acompanhamento contínuo como diferencial principal. “É um trabalho feito com acompanhamento de perto, desde o primeiro ano orientando, emprestando material, fazendo visitas às universidades e ajudando o aluno a entender que aquele espaço também é dele. Se o aluno não quiser entrar na universidade, está tudo bem. Mas aquele que quer e tem esse desejo, recebe todo o apoio na escola.”, afirma ela.

A diretora da escola, Simone Soares Gonçalves, destaca que o projeto esclarece dúvidas sobre inscrições em provas e universidades, funcionamento de cursos e profissões. As visitas aos campi universitários ajudam a aproximar os estudantes desse ambiente, mostrando que é acessível a alunos de escola pública. “Cada vez que os alunos realizam uma prova de simulado e recebem um bom resultado, eles percebem que, se é o mesmo modelo e conseguiram, podem repetir o sucesso pelo PAS ou Enem”, observa.

Atualmente, cerca de metade dos aproximadamente 1.200 alunos do CEM 03 participam das ações do Nave. No último ano, quase metade dos estudantes do terceiro ano conseguiu aprovação em instituições públicas, como a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Federal de Brasília (IFB) e outras universidades federais.

Entre os ex-alunos aprovados está Miguel de Carvalho Santos, de 18 anos, que concluiu o ensino médio na escola e foi aprovado em Ciência da Computação pelo PAS na UnB. “O Nave sempre mostrou que a universidade é uma porta de entrada para tudo que você quer realizar profissionalmente. Isso foi muito importante para eu entender o que eu realmente queria fazer. É muito bom que esteja acontecendo numa instituição pública, porque democratiza o acesso ao ensino para todo mundo.”, relata.

Outra aprovada em 2026 foi Crislayne Rocha, de 17 anos, que passou em Farmácia na UnB pelo PAS e em Letras no IFB. “Antes eu tinha muita dificuldade para estudar e minhas notas eram um pouco mais baixas. Depois de entrar com os direcionamentos e participar dos grupos de estudo, realmente ficou muito mais fácil de estudar. Antes eu achava impossível um aluno de escola pública passar numa universidade federal. Depois do Nave, minha perspectiva mudou completamente.”, conta ela.

João Vitor Gonçalves Moreira, de 16 anos e estudante do segundo ano interessado em Medicina, avalia que o acesso ao material e às orientações faz diferença. “Normalmente esse material é caro e de acesso mais difícil, com muitos conteúdos para você estudar sozinho. Sem esse projeto eu estaria muito menos preparado. Ainda dá medo, por serem provas difíceis, mas a confiança é muito maior com esse apoio que temos.”, diz.

O projeto é desenvolvido com recursos da própria escola, doações de material e, mais recentemente, apoio obtido por meio de edital parlamentar, visando melhorar a estrutura de estudo oferecida aos alunos.

Com informações da Agência Brasília

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