Menu
Brasília

Projeto junta jogos digitais e educação em escolas públicas do DF

O Voz Ativa busca o uso da tecnologia para combater bullying e abandono escolar

Redação Jornal de Brasília

29/07/2025 21h33

25.7. meninas em ação. foto geovana albuquerque agência brasília2

Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Por Vitor Ventura
redacao@grupojbr.com

O projeto Voz Ativa, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com o Instituto Multiplicidades, traz uma nova abordagem para o uso da tecnologia em sala de aula para combater problemas como o bullying e a evasão escolar. O projeto articula a escuta qualificada, a gamificação, a inteligência de dados e a mobilização comunitária para transformar escolas públicas em centros de cuidado, prevenção e formulação de políticas públicas. Com o apoio da Secretaria de Educação (SEDF) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (SECTI-DF), o projeto tem sido implementado em escolas da capital.

A proposta do projeto é promover o bem-estar social e emocional dos estudantes, apoiar educadores e gestores na tomada de decisões pedagógicas e fortalecer os laços entre escola, comunidade e redes de proteção social. Cristiane Pereira, Diretora Presidente do Instituto Multiplicidades, conta que a tecnologia é uma grande aliada da escola. “Por meio de jogos digitais e atividades interativas, os estudantes são incentivados a falar sobre o que sentem e pensam. Isso inclui desde seus sonhos até medos, dificuldades com os estudos, situações de violência ou até casos de bullying. Enquanto jogam, o sistema observa sinais importantes como tristeza, desânimo, silêncio ou irritação”, explica Cristiane.

De acordo com a diretora, O projeto ainda está na fase de desenvolvimento tecnológico e de alinhamento pedagógico, em articulação direta entre educadores e equipe técnica. “Mesmo antes do início das aplicações em campo, já é possível antecipar que a primeira coleta de dados sobre o clima escolar trará à tona informações que normalmente passam despercebidas na rotina escolar, como sentimentos de medo, insegurança, exclusão ou desmotivação”, relata.

O projeto conta com objetivos ambiciosos de unir a tecnologia ao ensino, uma das questões levantadas é a implementação de uma metodologia de escuta qualificada com estudantes do ensino fundamental II e médio através de jogos digitais e uma linguagem acessível. A iniciativa aborda também as inovações trazidas pela inteligência artificial, a ideia é estruturar um sistema de análise de dados baseado nela que permita identificar padrões de vulnerabilidade e indicadores de risco. Além disso, o Voz Ativa busca articular ações intersetoriais com as redes de saúde, assistência social, segurança pública e órgãos gestores da educação; fomentar uma cultura de escuta e participação que envolva toda a comunidade escolar, incluindo estudantes, famílias, professores e gestores; e contribuir para a construção de uma política pública permanente de monitoramento do bem-estar escolar.

“O projeto Voz Ativa foi concebido com a perspectiva de escala. A experiência inicial no Distrito Federal servirá como base para aperfeiçoar a metodologia e, a partir disso, ampliar sua implementação em outras redes públicas de ensino no Brasil”, enfatiza Cristiane.

Combate ao abandono escolar

Os jogos digitais, além de oferecerem uma experiência lúdica e interativa, funcionarão como ferramentas para captar percepções, emoções e sentimentos dos estudantes. Por meio de situações simuladas e diálogos fictícios, os jogos permitirão que crianças e adolescentes expressem, de maneira indireta, como veem a si mesmos, os colegas e o ambiente escolar. De acordo com o Multiplicidades, a coleta de dados é orientada por critérios de segurança e anonimato, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para assegurar a segurança das informações passadas pelos estudantes. A partir disso, relatórios automáticos serão gerados com foco em indicadores socioemocionais como pertencimento, vínculos, conflitos, sinais de bullying e risco de evasão. “Mais do que combater a evasão escolar, o projeto busca compreender, com profundidade, as causas que estão por trás desse fenômeno”, finaliza Cristiane.

Segundo informações do Censo Escolar realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2023 a taxa de abandono escolar de alunos do ensino médio da rede pública no DF foi de 3,8%. Já a taxa relacionada a alunos do ensino fundamental II foi de 1,4%. A evasão acontece quando o aluno deixa de frequentar as aulas e abandona o ano letivo. Os impactos da evasão escolar no Brasil atingem principalmente os estudantes do ensino médio e é motivada por diversos fatores como gravidez na adolescência; dificuldades no aprendizado; bullying na escola; violência, entre outros.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado