Menu
Brasília

Projeto de contação de histórias diverte e ensina crianças de escolas públicas do DF

Arquivo Geral

15/08/2017 7h00

Atualizada 14/08/2017 22h13

Carleuza Farias anima a tarde dos alunos com o projeto Faz tempo que faz de conta. Foto: Ariadne Marçal

Gláucia Cardoso
Especial para o Jornal de Brasíl

“Há muito tempo, uma velhinha pobrezinha, muito pobre, pobre, pobre, só tinha uma sombrinha que a protegia do sol e da chuva. Oh, velhinha bonitinha! A velhinha tinha também uma criação de galinhas…”. As primeiras frases da história Velhinha e as três galinhas atraem os olhares curiosos e atentos das crianças do Centro de Ensino Infantil 304 do Recanto das Emas. A contadora de histórias Carleuza Farias, de 55 anos, animou uma tarde dos alunos com o projeto Faz tempo que faz de conta. A iniciativa é promovida em escolas de educação infantil e apoiada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura.

Histórias, brincadeiras populares e muitos sorrisos são as palavras que descrevem a apresentação da contadora. Os alunos participaram de um teatro improvisado enquanto Carleuza contava a história das crianças que não gostavam de tomar sopa de pedra. O conto foi incrementado com música Sopa, da Palavra Cantada, que deixou as crianças ainda mais animadas. Os estudantes também mostraram que gostam de dançar ao som da canção Eu Vou Andar de Trem. Eles ficaram em fila imitando um trenzinho e produzindo os gestos da contadora que iniciou a festa.

Envolvimento

Entre as crianças animadas, Geovana Carla da Silva, de quatro anos, conta que gostou da história da velhinha que tinha três galinhas, mas duas foram comidas pela raposa. “Eu quero ser cuidadora de animais quando crescer. Eu achei a história das galinhas com a velhinha muito legal”, afirma a garotinha, que participou do teatro. “Eu sei imitar tudo que ela (contadora) fez”, diz. Geovana reproduziu os gestos de Carleuza como se estivesse apresentando os contos para seus colegas.

A pequena Judite Barros não parava de balançar o corpo durante a música Eu Vou Andar de Trem. “Eu achei muito legal a dança do trenzinho e gostei também de ficar rodando”, relata a menina de 4 anos. Já Lucas Silva, da mesma idade, revela que as brincadeiras foram divertidas. “Eu amei brincar. Queria participar do teatro da sopa”, declara.

Saiba mais

  • Segundo a contadora de histórias, são necessários, no mínimo, seis meses para aprender as técnicas de narração das histórias. “Mesmo que sejam só algumas pinceladas no assunto, é importante capacitar os professores porque eles são o canal de transformação do mundo”, acredita.
  • Carleuza gosta de trabalhar com livros populares e busca inovar nas suas apresentações. “Sou observadora e costumo pesquisar muito. Então eu vou aprimorando as técnicas com meu jeito e deixo a criatividade fluir. Eu brinco com as histórias e as crianças amam isso”.

Resgate

Idealizadora do projeto Faz tempo que faz de conta, Carleuza Farias explica como surgiu o trabalho. “O projeto nasceu da vontade de resgatar as brincadeiras populares e a contação de histórias. Hoje em dia, o uso da tecnologia afasta as pessoas das brincadeiras populares, das histórias e dos contos. O olhar tem que voltar para essas coisas aconchegantes que fascinam”, conta.

A última instituição de ensino a receber o projeto foi a Escola Classe 36, em Ceilândia. De acordo com Carleuza, oficinas voltadas para os professores, ocorridas em junho deste ano, foram concebidas para multiplicar as técnicas de contação de histórias.

Estímulo a mais para a imaginação

Contar histórias não é só função dos pais e avós que ficam do lado da cama esperando a criança dormir. Hoje se tornou uma profissão que busca provocar a imaginação. O interesse de Carleuza pela contação de histórias surgiu na infância, quando ela se apaixonou pela encenação. “Acho que nasci contando histórias. Sempre fiz teatro e um resultado de trabalho escolar me incentivou. A contação de histórias, contos e fábulas tem que se perpetuar, não pode parar”, ressalta.

Carleuza ministrou a oficina de contação de histórias e jogos teatrais para os professores da CEI 304. “A formação com os docentes tem como objetivo trabalhar a sensibilização e o olhar. Contar uma história não é de qualquer maneira. Não é abrir o livro e ler. A história precisa ser sentida”, destaca.

As atividades lúdicas e as dinâmicas pretendem não só capacitar os educadores, como também explorar a imaginação deles. “No final percebi que os professores liberaram a criatividade”, comenta.

A professora Judite Rodrigues, 50, relata a experiência. “As dinâmicas trabalham nossa imaginação. Em uma delas, tínhamos que falar o que um objeto representava e, aos poucos, a gente foi se soltando. Outra foi a antiga brincadeira do passa o anel, mas ela foi transformada. É uma atividade que queremos inserir na turma”, diz.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado