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Brasília

Projeto combate a violência doméstica

Oficinas e rodas de conversa levam apoio e informação para mulheres de Águas Claras

Redação Jornal de Brasília

12/08/2025 11h40

Atualizada 13/08/2025 6h42

PERSONAGEM DA IMAGEM: Román Cuattrin (presidente da Amaac), Uiara Mendonça (subsecretária de Justiça do DF) e Bia Portela (presidente do Instituto Bem IA). CRÉDITO DA FOTO: DIVULGAÇÃO

CARLIANE GOMES
redacao@grupojbr.com 

A Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), em parceria com a Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras (AMAAC) e o Instituto Bem IA, iniciará em agosto uma série de oficinas, rodas de conversa e atividades de apoio emocional em condomínios residenciais da região. O objetivo é facilitar o acesso das mulheres a informações e serviços de prevenção da violência doméstica, especialmente para aquelas que têm receio ou insegurança de usar os canais oficiais.

Segundo Bia Portela, presidente do Instituto Bem IA, Águas Claras foi escolhida estrategicamente como a primeira região administrativa a receber o projeto “Direito Delas: Empreender para Recomeçar”. “Nossa sede está localizada aqui na cidade, e enfrentamos um volume considerável de subnotificação de casos de violência doméstica. Apesar de ser uma região de classe média, encontramos muitas mulheres que vivem violência diariamente, mas aceitam caladas por medo de serem rotuladas”, afirma. Para ela, a iniciativa busca democratizar o acesso às tecnologias emergentes e promover uma formação cidadã, crítica e inclusiva para as mulheres. O instituto oferece oficinas práticas que aproximam a inteligência artificial do cotidiano, possibilitando gerar renda, especialmente para mulheres vítimas que muitas vezes permanecem em ambientes violentos por dependência financeira.

Os encontros acontecerão em condomínios, por meio de parcerias com síndicos, associações de moradores e espaços abertos. A mobilização também deve se expandir para shopping centers, escolas e universidades. “Nosso foco é oferecer oficinas que gerem proximidade e conexão com as moradoras, criando uma rede feminina de apoio e aproximando as políticas públicas das mais vulneráveis”, destaca Bia. Ela ressalta que a violência doméstica não escolhe classe social, afetando todas as esferas da sociedade. “A cada 30 segundos, uma mulher é vítima de violência. Precisamos mudar esse cenário urgentemente”, alerta.

Neste contexto, a Sejus entra com os módulos de capacitação, a AMAAC, com a divulgação  e o Instituto Bem IA, como interlocutor com empresas do setor, abrindo o diálogo durante as oficinas. A Sejus oferece assessoria jurídica e psicológica nos 13 núcleos em que atua. “Nesta parceria vislumbramos outras regiões como Gama, Recanto das Emas, Santa Maria, Samambaia e São Sebastião já neste trimestre”.

As ações do projeto “Direito Delas: Empreender para Recomeçar” serão realizadas em 4 encontros, com início oficial previsto para 20 de agosto. O projeto é aberto a todos os condomínios interessados, com conteúdo gratuito. O cronograma é dividido em três fases: articulação com a comunidade, condomínios, síndicos e escolas; realização das oficinas; e sistematização dos resultados. As datas e horários serão adaptados conforme a realidade local e a disponibilidade dos participantes. A divulgação é feita por meio das redes sociais, grupos da AMAAC, do Instituto Bem IA, murais comunitários e canais institucionais da Sejus. As inscrições são gratuitas e abertas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF, os índices de violência contra a mulher na região administrativa de Águas Claras apresentaram redução de 10,7%. Apesar disso, no período de janeiro a julho deste ano, foram registradas 233 ocorrências, contra 261 no mesmo período de 2024. No consolidado do ano passado, foram 462 casos. Os dados estão sujeitos a alterações. Para a Sejus, a parceria busca levar políticas públicas diretamente aos espaços onde as mulheres vivem, garantindo acesso a informações, apoio e oportunidades, especialmente para aquelas que não se sentem seguras para denunciar. “A articulação com a comunidade, síndicos e associações locais possibilita levar conscientização, apoio e serviços diretamente a esses espaços”, explica a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani. 

O presidente da AMAAC, Román Dario Cuattrin, ressaltou que a campanha do Agosto Lilás está em fase de preparação e será lançada inicialmente em um condomínio piloto no dia 20 de agosto. “Ainda não soltamos a campanha junto aos síndicos. Estamos preparando o material de divulgação, numa sequência que envolve a obrigação do síndico em denunciar qualquer violência que chegue ao seu conhecimento para depois contar com o engajamento nas oficinas”, afirma. Ele destaca a importância do debate nos condomínios e reconhece a subnotificação do tema: “É notório que há subnotificação. Comparado com outras regiões administrativas, os números mostram isso. Os índices de suicídio, muitos em decorrência da violência sofrida, confirmam a gravidade do problema”. A parceria com a Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus) e o Instituto Bem IA surgiu após o contato do instituto com a AMAAC, que tem capilaridade nas redes sociais e é reconhecida pela luta pela qualidade de vida na região. Para Román, a expectativa é clara: “esperamos contribuir para que o número de mulheres vítimas diminua e aquelas que estão passando por isso tenham consciência de que há uma rede de apoio com a qual podem contar.”

SERVIÇO: 

Para mais informações, acompanhe as redes sociais da Sejus, da AMAAC e do Instituto Bem IA. A divulgação e inscrições variam conforme o evento: em condomínios, a comunicação é feita pelo síndico com formulário da Sejus. Em eventos abertos, as inscrições são divulgadas pelas redes dos parceiros.

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