O Centro de Ensino Fundamental (CEF) 01 do Gama iniciará nesta quinta-feira (12) um projeto voltado para a inclusão, o aprendizado e o desenvolvimento. Trata-se do Ateliê da Diversidade, uma iniciativa para estudantes da EJA Interventiva. Essa modalidade de ensino é direcionada para jovens e adultos com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista (TEA) ou deficiências múltiplas, com foco na inclusão, autonomia e alfabetização.
O projeto tem o objetivo de preparar estudantes da EJA Interventiva para o mundo do trabalho, com foco em atividades de costura e bordado. A ação vai ofertar oficinas, oportunidades de inclusão, desenvolvimento de atividades e fomento à inclusão social e profissional dos participantes. O Ateliê da Diversidade é fruto do esforço de diversos professores e professoras do CEF 01, que se desdobraram para que esse projeto saísse do papel. Três delas, Edna Cristina, Adriana Arieta e Dagmar Barcelos, conversaram com o Jornal de Brasília sobre a ação.
Edna é professora do Serviço de Orientação para o Trabalho da EJA Interventiva e começou com a ideia de trazer algo especial para os alunos do CEF 01. Ela traçou o projeto e, a partir de verbas parlamentares direcionadas a ele, conseguiu fazer a iniciativa andar. Apesar disso, os desafios para colocar a ação para frente foram inúmeros e por isso mais colegas foram se juntando à caminhada.
“Com a verba foi como eu consegui comprar as máquinas, comprei a televisão, impressora, notebooks e o material de custeio. Mas não dá para comprar tudo. Aí é o que que eu tive que fazer, eu e as meninas que estão me apoiando no projeto, a gente foi fazer bazares. Começamos a arrecadar roupas com os professores, e eu já fiz uns três ou quatro bazares para poder arrecadar um dinheiro para poder comprar, por exemplo, agulha, cola, alguns tecidos que não tinham para inauguração. E aí uma professora doou uma coisa aqui, outro doou outra ali. Tudo por doação e iniciativa nossa de correr atrás para fazer o evento. Às vezes tiramos do bolso mesmo para o projeto andar”, explicou Edna.
São cerca de 57 alunos que irão participar do projeto. As atividades programadas são principalmente sobre costura e bordado, mas também haverá espaço para outras relacionadas à culinária, artesanato e tecnologia. Dagmar, professora da Sala de Recursos da EJA Interativa, falou da importância desse projeto para os alunos. “O objetivo primeiro aqui é realmente preparar esses estudantes, porque eles são neurodivergentes. às vezes, com a educação formal, eles não conseguem atingir o objetivo dentro daquilo que é proposto. Nós vamos complementar esse ensino, e o nosso objetivo aqui no ateliê é justamente preparar esses estudantes, proporcionar experiências aqui dentro para que eles possam aplicar no mercado de trabalho”, comentou.
Outra professora da EJA Interativa que colaborou com o projeto foi Adriana Antonieta. Ela enfatizou sobre como é essencial que os alunos desenvolvam independência e tenham um desenvolvimento adequado no processo. “Antes de qualquer coisa, é necessário que a família seja sensibilizada, pois muitos desses estudantes dependem da família. Caso haja necessidade de uma saída de campo, a família precisa saber essa importância para nos ajudar. Então, tanto a família quanto a comunidade escolar de um modo geral, têm que abraçar junto conosco esse projeto para que tenhamos sucesso”, relatou.
Inclusão por meio da capacitação
Para os advogados trabalhistas Aline Rosado e Daniel Miranda, a capacitação de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho deve ser adaptada às necessidades individuais de cada pessoa. “É possível enfrentar o mercado de trabalho dentro de seus próprios limites, os quais devem ser devidamente respeitados. Esse processo de capacitação é especialmente relevante, pois contribui para que o trabalhador se integre de forma mais adequada ao ambiente em que será inserido. A adaptação, entretanto, não se limita à oferta de ambientes e recursos adequados, mas também depende da colaboração da equipe no sentido de compreender as necessidades de seu colega”, comentou a advogada.
Os especialistas avaliaram que a inserção de pessoas com deficiência intelectual é um desafio, mas destacam que isso pode ser superado com as medidas adequadas. “Tais iniciativas devem ter como objetivo promover o acolhimento, a superação de estigmas e a readaptação do ambiente de trabalho conforme as necessidades individuais. Além disso, é fundamental garantir que essas pessoas tenham voz ativa, inclusive para contribuir com sugestões sobre as funções e condições que melhor se adequem às suas capacidades e necessidades”, indicou Daniel.
O Ateliê da Diversidade aparece justamente como uma proposta para alcançar esses objetivos. Para auxiliar os estudantes, profissionais voluntárias farão o acompanhamento durante o projeto. A ação funciona com oficinas esporádicas, no horário de aula, que acontecem até o final do ano. Além disso, a inauguração do ateliê acontece na Semana Distrital de Conscientização e Promoção da Educação Inclusiva. “É uma semana que está no calendário da Secretaria de Educação (SEDF), baseada em uma lei que fala sobre essa questão da conscientização, da promoção, da inclusão. É isso que a gente quer trazer com esse momento também de inauguração. Mostrar que os meninos são capazes, vamos explorar os talentos deles”, finalizou a professora Edna.